Heliar | Voigtlander

– 24 cm | f:4,5 | 1956 –

A Heliar é um clássico na história das lentes fotográficas. Até hoje ela tem um fã clube considerável entre fotógrafos que se dedicam a formatos grandes. Para muitos é quase como se ela tivesse alguma propriedade mágica. Sua fama vem de uma imagem que é algo “cremosa”, sem chegar a ser uma soft focus como a Verito, por exemplo. Ela mantém essa característica mesmo em aberturas médias, diferindo, nesse aspecto, das lentes de foco difuso que normalmente ficam mais duras nas aberturas mais fechadas. Pelo seu número de série esta Heliar é de 1956. Ela já tem uma camada anti-reflexo muito discreta com tons azulados. Uma Heliar mais nova, com um multi-coating, que seria um tratamento em multi-camadas, é um item muito cobiçado nos dias de hoje. Mas mesmo as mais antigas, tomando-se os mínimos cuidados para se evitar luzes expúrias atingindo a superfície da lente, podem render fotos, especialmente retratos, surpreendentes.

A Heliar foi desenhada por Hans Harting, da Voigtlander, em 1900. Era uma modificação do desenho conhecido como Cooke Triplet que era uma lente de 1893 com boa correção de aberrações e uma construção com apenas 3 elementos em 3 grupos (concepção ainda usada em câmeras de celulares). A primeira Heliar não tinha uma performance superior ao Triplet e por isso o projeto não se mostrou interessante já que sua construção (5 elementos em 3 grupos) era mais complexa. Um outro desenho apareceu em 1903 quando Harting, provavelmente influenciado pela Tessar da Zeiss (1902) inverteu os dubletos e lançou uma lente chamada Dynar e com uma perfomance muito superior.  Mas esta construção foi deixada de lado até o final da primeira grande guerra quando a Voigtlander a relançou com o nome Heliar que era considerado mais atraente do que Dynar. Estas informações foram pesquisadas no livro A history of the photographic lens de Rudolf Kingslake, que pode ser encontrado na Amazon. Uma excelente fonte para aqueles interessados nas principais questões envolvidas na construção de lentes e na genealogia dos mais importantes projetos.

Aqui o diagrama da Heliar e alguns outros desenhos de suas contemporâneas de outros fabricantes. Imagem vem de um livro alemão de 1931: Knipse Aber Richtig, de Wolf H. Döring DWB.

 

Propaganda da Heliar na revista Photo Miniature de outubro de 1910. Isto contradiz a informação de Kingslake de que ela só foi relançada com esse nome depois da guerra. Talvez poderia ser algum problema de direito de marca nos Estados Unidos ou algo assim.

O retrato abaixo foi realizado com a Heliar deste post. Eu usei um filme 13 x 18 cm, ASA 100, copiado por contato sobre papel de fibra e gelatina. A luz foi de dois flashs de 640W cada e a abertura era f11. A da direita sofreu um processo de viragem colorida localizada que produziu os dois tons de fundo e figura.

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