
Este é um livro muito interessante pela pesquisa histórica feita pela autora. Trás muitas informações sobre as vidas de fotógrafos como Nadar, Disderi e outros. Tem até alguns dados estatísticos sobre o mercado e hábitos fotográficos na França. É uma leitura muito agradável. Mas é preciso levar as análises com certo humor para não se irritar. Eu me diverti por encontrar nela a perfeita caricatura da fotografia como apenas mais instrumento da “luta de classes”, uma visão que andou muito em moda nos anos 1960/70 e que ainda encontra fieis seguidores. Nessa linha, a autora defende que o sucesso da fotografia deveu-se principalmente a que ela oferecia ao pequeno burguês a possibilidade de equiparar-se aos aristocratas em fazendo-se retratar a preços bem econômicos, como se a fotografia fosse a pintura a óleo dos pobres.
A excessão a essa neurose de ascensão social a autora reserva para os fotógrafos artistas. Estes são apresentados de forma romantizada como seres bem acima dessas questões mundanas. São uns abnegados, motivados apenas pela busca da pureza da arte.
