Pentax K1000 | Asahi Pentax

A Pentax K1000 tem a mesma arquitetura da Pentax Spotmatic mas com uma diferença fundamental: a montagem da lente abandonou o sistema de rosca em favor de uma baioneta.
A montagem K
A transição da montagem de rosca M42, a montagem universal utilizada por muitos outros fabricantes, para a baioneta K em 1975 foi um momento decisivo para a Pentax. Embora a M42 tivesse tornado a empresa no fabricante de SLR mais popular do mundo com a Spotmatic, ela tinha chegado a um beco sem saída. Foram três os fatores principais para a mudança:
1. A “barreira” da medição de abertura total
Esta era a limitação técnica mais crítica. Numa montagem de parafuso M42, a lente pode parar num ponto de rotação ligeiramente diferente cada vez que é montada (devido ao desgaste das roscas).
O problema: para se ter “medição de abertura total” (visualizar uma imagem mais luminosa com a abertura máxima, enquanto a câmara “sabe” que você selecionou outra menor ), a lente deve comunicar a abertura selecionada ao corpo da câmara.
A falha do M42: Como a posição rotacional não era fixa, a Pentax teve que usar a medição com a abertura que será efetivamente utilizada. Para isso é preciso se acionar uma alavanca que fecha o diafragma de iris até a abertura selecionada e só então o fotômetro indica se a condição de luz, medida através da lente, está boa ou não. A alternativa seria criar articulações mecânicas incrivelmente complexas e frágeis que frequentemente quebravam.
A solução baioneta: Uma baioneta encaixa e posiciona a lente sempre na mesma posição todas as vezes. Isso permitiu que uma alavanca mecânica simples e robusta informasse à câmara exatamente qual era a abertura.
2. Velocidade de operação (a exigência profissional)
No início dos anos 70, a fotografia estava a evoluir rapidamente. Os fotojornalistas e fotógrafos desportivos consideravam a montagem M42 demasiado lenta.
A comparação: a Nikon e a Canon já tinham baionetas. Um fotógrafo podia trocar uma lente Nikon em cerca de 2 segundos com um giro de 60 graus. Um fotógrafo Pentax levava de 5 a 10 segundos e corria o risco de danificar as roscas se estivesse com pressa.
O marketing: a Pentax precisava provar, para seu público majoritariamente amador, que as suas câmaras eram ferramentas «profissionais». A baioneta era um requisito para a velocidade.
3. A limitação do tamanho e robustez
A montagem M42 tinha um diâmetro relativamente estreito (42 mm). Restrições ópticas: à medida que os designers de lentes pressionavam por lentes mais rápidas (lentes f/1.2), a garganta traseira estreita da M42 tornou-se um gargalo. Isso criou vinheta ótica porque o elemento traseiro simplesmente não podia ser maior. Estabilidade: à medida que as lentes ficavam mais pesadas, as roscas finas da M42 ficavam sob imensa tensão. A montagem K fornecia uma plataforma muito mais ampla e estável que podia suportar lentes teleobjetivas pesadas.
A atenção com antigos cliente
A Pentax fez algo muito raro na indústria. Apesar de ter abandonado o M42, projetou a montagem K com a mesma distância focal do flange (45,46 mm). Isso permitiu-lhe vender um adaptador mecânico simples para que todos os seus fiéis utilizadores da Spotmatic pudessem continuar a usar as suas antigas lentes Takumar, além de qualquer outra M42, nos novos corpos da série K. Foi um bom gesto para manter a fidelidade dos clientes durante uma mudança tecnológica radical.
Contexto do lançamento

A K1000 foi lançada em 1976, juntamente com as câmaras mais avançadas da série K (K2, KX, KM). A filosofia do projeto permaneceu com a simplicidade espartana que já era da identidade da Spotmatic. A K1000 foi deliberadamente concebida como uma SLR básica, totalmente manual, robusta e acessível para iniciantes. Ela dispensou recursos encontrados em suas irmãs (como temporizador, pré-visualização da profundidade de campo, bloqueio do espelho). Seu único componente eletrônico era o simples medidor de luz CdS com agulha correspondente.
A Pentax desejava com essas características ser referência no mercado de educação e concorrer, por exemplo com as Prakticas da Veb Pentacon. A sua simplicidade, durabilidade, baixo custo e controles manuais claros tornaram-na a câmara estudantil por excelência durante décadas. Inúmeros cursos de fotografia utilizaram a K1000 como ferramenta de ensino padrão. Ela já estava na lista de materiais para os estudantes.
Essa combinação mostrou-se muito competitiva e a K1000 teve uma incrível longevidade. Devido à sua popularidade, confiabilidade e baixo preço, a K1000 teve um ciclo de produção excepcionalmente longo, permanecendo em produção (com algumas pequenas alterações de fabricação, incluindo mudanças do Japão para Hong Kong e depois para a China) até 1997. Foram vendidos milhões de exemplares.

Como “câmera do estudante” a Pentax K1000 cumpria uma tarefa que parece impossível nos dias de hoje: convencer os jovens que uma vez escolhido o ISO, qualquer fotografia se resume a foco, abertura, tempo… e nada mais.

Um ponto muito bom da K1000 é que ela utiliza uma bateria alcalina muito comum e barata, a LR44. Quase todas as câmeras de sua geração utilizavam as descontinuadas baterias de mercúrio e hoje precisam de adaptadores para funcionar.

É uma câmera realmente muito básica mas também muito bem construída. Não há nada no seu design ou materiais que seja muito original ou que busque se sobressair de alguma forma. Parece mais uma câmera genérica como tantas outras de seu tempo.

Apesar dessa proposta tão singela na câmera, a Pentax oferecia uma grande quantidade de acessórios para sua série K. Muitas lentes de ótima reputação com a marca Takumar. Flashes, foles, filtros, motor drive e tudo que uma grande marca podia oferecer para os clientes mais entusiastas. Apenas como ilustração, acima está um set-up utilizando um visor de ângulo reto e uma lente macro, 100mm f/4. Com ele foi possível capturar a imagem abaixo.

