Graphoscope | Charles Gaudin

O daguerreótipo e o calótipo foram os processos pioneiros na fotografia. Mas sua repercussão, apesar de estrondosa, quanto ao acesso e ao uso mais concentrada em um público selecionado pois se o primeiro era muito caro o segundo teve a barreira das patentes que Talbot registrou. Uma segunda onda, dando nova amplitude à fotografia rumo à sua massificação, veio com a placa úmida, o colódio, para obtenção de negativos e o processo de impressão com albumina, para obtenção da fotografia propriamente dita, o positivo.

A partir dos anos 1860 sugiram as Carte de Visite (acima), um formato especial de fotografia, algo como 6x11cm, produzido de maneira artesanal nas pequenas cidades e praticamente industrial nos grandes centros. As pessoas começaram tanto a se fazer fotografar como a colecionar fotografias de celebridades nos mais diversos temas: atores, militares, políticos, escritores… foi um verdadeiro furor.

Estas fotos eram arranjadas em álbuns e também vistas avulsas. Para este segundo caso, um francês chamado Charles Gaudin, patenteou em 1864 um pequeno aparelho, o Graphoscope, que melhorava muito a experiência da visualização. Mais ou menos ao mesmo tempo, o americano Alvan Clark, também patenteou algo similar.

É incrível como o graphoscope realmente dá uma outra sensação se comparada a examinar a fotografia sem ele. Você aproxima bem os olhos da grand lente, regula a altura para que a foto fique no centro e a imagem enche seu campo visual. É possível se ver muitos detalhes que de outra forma passariam despercebidos.

Na foto acima temos uma carte de visite com duas crianças. Mas o melhor mesmo é quando se coloca um formato que só ganhou força a partir de 1880, a Carte Cabinet, pois ela é um pouco mais que o dobro do tamanho da carte de visite. É o caso da foto abaixo.

Não são todos, mas muitos graphoscopes são também equipados com um par de lentes para a visualização de stereoscopias. Houve um comércio muito forte de vistas de cidades, natureza, animais, curiosidades em geral, e também alguns fotógrafos amadores mais dedicados faziam stereoscopias de seus passeios e eventos familiares.

Quando não está em uso o graphoscope fecha-se como uma caixa e isso facilita muito para ser guardado. Este modelo, da coleção, é bem simples. Mas existiam também alguns com incrustrações de madre-pérolas, machetaria e ornamentos.

Se você ainda não leu, não deixe seguir o link e ler o artigo sobre as cartes de visite e carte cabinet. São mostrados vários exemplos, de grandes estúdios e fotógrafos itinerantes, de reis e também gente comum. Essa “cartomania, como é muitas vezes chamada, foi extremamente importantes até como um fenômeno social.

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