Heliografia | Nicephore Niépce

Point de vue du Gras – Nicephore Niépce

A imagem acima é considerada a primeira fotografia da história. Ela é pelo menos a primeira existente até hoje, talvez outras anteriores tenham se perdido. Na esquerda temos o estado da placa que Niépce produziu em algum momento entre 1826 e 1827. Na direita uma foto da mesma placa com luz adequada e um bom reforço no contraste para facilitar a leitura.

A foto foi obtida de uma janela na casa de Nicephore Niépce em Saint-Loup-de-Varennes, onde a família tinha uma propriedade rural antiga e onde suas pesquisas foram conduzidas. O nome que ele deu a este processo foi Heliografia. Não foi um processo que teve sequência dentro da fotografia mas seu papel inaugural é historicamente importante. Também pesa o fato de que muito do que Niépce pesquisou foi compartilhado com seu futuro colaborador Louis Daguerre, o qual efetivamente inventou um processo fotográfico viável, o daguerreótipo que guarda algumas semelhanças com o que Niépce estava buscando.

Como quase todo mundo que se dedicou à questão, Niépce tentou usar papel impregnado com algum sal de prata, mas o fato da imagem vir invertida, o que é claro vem escuro e vice-versa, foi um fator que o desanimou dessa pista. Além disso, ao sair da câmera as partes que estavam ainda claras começavam a escurecer pela simples ação da luz ambiente. Ele não conseguia interromper este processo para fixar a imagem e esse foi outro fator que o fez desistir do papel.

A heliografia, guarda muitas semelhanças com processos de gravura. Ela consiste em:

1- Utilizar uma placa de metal. Niépce usou peltre, que é uma liga de 85 a 99% estanho e mais outros metais, entre eles o chumbo.
2- Cobrir o metal com uma camada fina de betume da judéia, afinado com alguns óleos e vernizes. Isso era usado por gravadores na técnica da água-forte.
3- Expor a placa, assim recoberta, na câmera fotográfica que no caso usava uma lente muito simples e não muito brilhante e por isso demandava 12 horas.
4- Depois de exposta a placa era lavada com óleos (Niépce fala em óleo de lavanda). A solubilidade do betume em óleo é alterada pela exposição à luz. A parte que recebeu luz fica mais insolúvel e nas partes que não receberam luz a lavagem no óleo remove o betume da placa revelando o metal. Nesse ponto temos uma imagem estável, uma fotografia.

O processo da placa coberta com betume funciona quando a exposição é muito forte, luz direta do sol. Isso permitiu a Niépce algum sucesso com impressões por contato. Mas a imagem produzida pela lente era muito escura a a mudança na solubilidade não era significativa.

Caso o processo tivesse sido um sucesso, Niépce teria duas alternativas como finalização:
A- Como um gravador, aplicar um ácido à placa depois de ter a imagem feita com acúmulo ou falta de betume sobre o metal, conforme áreas claras ou escuras na imagem. O ácido “comeria” o metal criando sulcos que poderiam ser depósitos de tinta para uma ulterior impressão como em uma gravura. Para isso teria apenas que usar um metal mais duro que o Peltre pois este não resistiria à pressão de uma prensa de gravuras.
B- Considerar o Peltre como produto final, como a fotografia em si. É o caso dessa que é considerada a primeira fotografia da história o Point de vue du Gras. O que temos lá é a própria placa que Niépce colocou em sua câmera.

Nicéphore Niépce retrato póstumo – 1854 – Léonard François Berger

Para saber mais sobre o desenvolvimento da fototografia, das pesquisas de Niépce até a invenção do Daguerreótipo, leia o artigo As contribuições de Niépce e Daguerre, a história desses dois personagens é muito interessante também de um ponto de vista até sociológico. Enquanto que o primeiro é um bom representante de um ideal romântico, o segundo é o próprio burguês em busca de oportunidades de negócio.

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