Joanópolis | Décio Badari
Exposição individual de 01 a 31/mar/2026
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Décio Badari define-se no seu Instagram como “Fotógrafo amador dedicado, e um caçador de imagens”. No século XIX o termo “amador”, para qualificar a relação de alguém com uma atividade qualquer, significava um envolvimento profundo com aquela atividade. Com esse entendimento, fotógrafo amador era aquele que estudava os segredos de como capturar a luz em imagens e o fazia só pelo gosto fazer bem feito. O termo amador, significava antes de mais nada aquele que ama, como já denota a própria formação da palavra. Para os fotógrafos, desse amor decorria a dedicação em registrar o mundo em fotografias.
Mais tarde, no início do século XX, o termo passou por uma transformação que o opôs ao profissional e ficou quase que pejorativo, pois traria um sentido de falta de compromisso e até de conhecimento.
Em um artigo publicado em novembro de 1899 na Scribner’s Magazine, ninguém menos que Alfred Stieglitz soou o alarme para o grande erro que essa polarização significava. Ele lembrou que ao lado de profissionais e “apertadores de botões”, desde o início da fotografia, incontáveis amadores tiveram um papel fundamental. Ele tinha em mente grandes nomes que inovaram na estética, na técnica e alargaram os horizontes da fotografia.
A fotografia de Décio Badari representa para mim uma quarta via: é a fotografia no seu estado mais puro. Pois não tem a pretensão de fazer história, como tinha e fez Stieglitz e seus amigos, está longe dos indiferentes, quase apáticos, “apertadores de botões” e também não tem nada a ver com o dinheiro, como acontece com os profissionais.
Tudo que conta é o fotógrafo com sua câmera e a vida que corre à sua volta. A fotografia é a possibilidade de construir com imagens um tesouro paralelo com tudo que o encanta e emociona no seu dia a dia. É uma relação de troca: as cenas que passam oferecem-se para o Badari e ele, sempre atento, mostra a sua deferência e gratidão registrando-as com técnica e cuidado, pois sabe que somente assim pode guardar nas imagens a poesia que os une.
Wagner Lungov































