Kodak Retina IIa | Kodak AG

A longa série das Retinas da Kodak começou em 1934 com o modelo Retina 117. Foi a câmera com a qual a Kodak lançou o filme 135, que é o filme 35mm perfurado para cinema, mas já acondicionado em bobinas prontas para uso. Esta Retina IIa, modelo 016, foi fabricada entre 1951 e 1954. Ela é considerada o auge da série por ser uma câmera sofisticada, mas na medida certa. Foi seguida pela IIIc que oferecia uma lente com elementos frontais intercambiáveis para variar a distância focal (35, 50 e 80 mm). Mas tal recurso não se harmoniza bem com um conceito folding camera (câmera dobrável), sacrifica o desempenho da óptica, torna a câmera mais pesada e ela nem pode ser fechada a não ser com a lente 50mm.

A Retina IIa é uma excelente câmera com sua lente fixa. Ela nem precisa de estojo, pois pode ser fechada protegendo a lente e seus aneis de ajustes contra choques e poeira. Oferece um rangefinder claro e preciso. Velocidades de 1 até 1/500 segundos como o obturador Synchro Compur e mais bulb ou B.

Como toda folding, ela oferece uma grande economia de espaço quando fechada. Sua construção é robusta e bem acabada. É muito raro se encontrar uma Retina com problemas sérios de oxidação mesmo depois de tantos anos.

Embora a Kodak e seu criador George Eastman sejam modelares em matéria de empreendedorismo norte americano, as Retinas foram produção da Kodak AG em Sttutgart, Alemanha (anteriormente Nagel Camerawerk). Dr. August Nagel era um génio da miniaturização. A IIa representa o auge da sua filosofia: uma câmara que cabia no bolso do casaco, mas produzia negativos de qualidade profissional que rivalizavam com a Leica IIIf da mesma época.

Ela utiliza filme 35 mm em quadro cheio 24 x 36 mm. O avanço se faz por uma alavanca no topo direito da câmera do tipo single stroke, que precisa ser acionado uma única vez. Já avança o filme e arma o obturador. Essa alavanca foi uma inovação para as Retinas pois todas as suas antecessoras utilizavam um botão giratório. Foi por este tipo de avanço rápido que ela recebeu o sufixo “a”, de advance em seu nome.

O contador de poses presisa ser manualmente ajustado e faz contagem regressiva. Como a maioria das câmeras de seu tempo o flash não era sincronizado pela sapata e em vez disso precisava ser plugado no obturador.

A óptica é um ponto muito forte na Retina IIa. Normalmente equipada com a Schneider-Kreuznach Xenon 50 mm f/2, pode ser encontrada também com a Heligon da Rodenstock, mas a Schneider Xenon é a lente «exclusiva» associada à reputação de luxo da Retina.

A lente Xenon é a alma da câmara. Ela tem um design de 6 elementos e 4 grupos, uma variação da fórmula clássica Double-Gauss (como a Planar da Zeiss). Quanto ao desempenho: Em f/2, ela tem um belo e suave «brilho» (aberração esférica) que é perfeito para os retratos. Quando fechada para f/5.6 ou f/8, torna-se extremamente nítida com alto contraste, graças aos revestimentos de fluoreto de magnésio que foram uma grande novidade nas lentes do pós-guerra. Este tratamento anti-reflexo, que é do tipo single coating (camada única), é marcado na lente por um triângulo vermelho e lhe dá uma leve coloração azulada.

Acima, um simpático conjunto de filtros, vermelho, verde e amarelo que vêm acondicionados com um para-sol em um pequeno estojo de couro. Abaixo algumas fotos realizadas com esta Retina.

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