Lanterna Mágica | Johann Falk

As lanternas mágicas já existiam muito antes da fotografia. Ela consiste basicamente de uma lamparina, como fonte de luz, um espelho parabólico atrás desta fonte, um jogo de lentes na sua frente. Para dissipar o calor ela precisa de uma chaminé e justamente por causa do calor elas são normalmente feitas em metal.

Página do livro de Willem ‘s Gravesande’s, 1720
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O esquema básico é mostrado na ilustração acima. O espelho S tem a função de aproveitar a luz que iria para o fundo da caixa e simular, com sua forma parabólica que ela vem da lamparina na direção do condensador V. A chaminé fica logo acima da chama. Normalmente há um tubo de vidro que isola a chama e direciona seu ar quente. Na frente do condensador são colocadas as transparências que serão projetadas sobre uma tela por uma lente a qual, mas Lanternas Mágicas de melhor qualidade, era uma Petzval por conta de sua luminosidade.

É do astrônomo holandês a primeira descrição conhecida de uma lanterna mágica e ela data de 1659. Antes disso não há nenhuma fonte conhecida descrevendo o aparelho. Mas ele não fez nenhuma publicidade de seu invento. Utilizava a sua Lanterna Mágica apenas para projeções no seu círculo mais íntimo. Em 1677 o alemão Johan Kohlans publica uma descrição mas o faz em hebreu, grego e latin, para que estivesse ao alcance apenas de pessoas sábias. Suspeita-se que era por medo de que fossem acusados de algum tipo de bruxaria. A ideia de que uma manifestação física, como uma imagem projetada com luz, só poderia ter uma origem também física e naquele aparelho que era a sua origem, não era muito bem estabelecida. Ligar esses fenômenos a manifestações além do mundo material era muito fácil naqueles tempos.
Um pouco nessa direção, vem o fato de que quando o aparelho se difundiu seu primeiro nome não era lanterna mágica, mas lanterna do mêdo. Com certeza era utilizada por muitos para assustar e talvez aplicar golpes nos mais ingênuos.
Impacto da fotografia
Passada esta fase mais selvagem ou folclórica da Lanterna Mágica, com a invenção da fotografia logo em 1848, Ernst Wilhelm (William) and Friedrich (Frederick) Langenheim na Filadélfia inventaram um processo chamado Hyalotype (do grego, impressão em vidro). Imediatamente a o potencial da projeção passou a ser explorado para fins de educação, diversão e apresentações assim como fazemos até hoje com meios digitais e programas como o Power Point.

Essa pequena lanterna da coleção pertence à fase massiva mais na virada para o século XX e com certeza foi concebida para fins mais recreativos. Sua marca é Johann Falk, de Nuremberg. A tradição de Nuremberg na fabricação de toda sorte de artefatos em metal remonta ao século XVI. Era conhecida com o “Cidade dos Brinquedos”. A popularização da Lanterna Mágica foi como que feita para ela, pois tinham pronta a infraestrutura para fabricar e distribuir por todo o mundo. A Johann Falk fo fundada em 1895 e atuou até 1920.

Assim como na fotografia, uma definição importante para uma Lanterna Mágica é o formato. Normalmente as imagens são circulares ou quadradas e a altura vai de 4 a 10 cm na maioria dos casos. Esta Ernst Plank usa transparências em vidro com 60 mm de altura. As placas podem conter imagens individuais para que sejam vistas uma a uma ou podem ser um contínuo.

O que mais se encontra atualmente são os slides de pequenas histórias ou curiosidade como lugares, animais e personagens. Isto vai bem na direção da lanterna mágica como brinquedo. O que não deixa de ser um pouco estranho aos olhos de hoje, por conta de ser um brinquedo que usa fogo e óleo combutível.
