wagner_lungov

Este site começou em 2001 quando nem tinha propriamente um nome. Foi quando resolvi fazer páginas em html mostrando minha coleção de câmeras fotográficas e as fotos que fazia com elas. Adicionava comentários sobre funcionamento, história, estética, recursos e coisas assim.

Foi nessa virada para os anos 2000 que a fotografia digital ultrapassou os 3 megapixels e tornou-se realmente uma alternativa para a produção de imagens. Principalmente por conta de que imagens, de um modo geral, já estavam migrando do papel para as telas desde os anos 90, quando os computadores pessoais com interfaces gráficas, e não apenas texto, tornaram-se lugar comum.

Eu vinha fazendo fotografia analógica pois essa era a única fotografia que eu conhecia e gostava. Nem havia esse segundo atributo “analógica”, era só “fotografia”. Tenho laboratório em casa desde o início dos anos 80 e antes disso usava de amigos. Simplesmente continuei fazendo. Não foi uma descoberta e nem mesmo uma redescoberta: comecei ainda adolescente e nunca mais parei com os filmes.

Em 2016, notei que o site era até que bem visitado e resolvi fazer um relançamento. Queria um site mais bonito e também adicionar alguns tutoriais de gambiarras que fazia, dicas de laboratório e ir mais a fundo nos estudos de história. Percebi também, com certa surpresa, em vez de morrer de vez, a fotografia analógica até que ainda despertava interesse e pensei em melhorar o site. Entre vaidade e generosidade, quis compartilhar minhas descobertas como se estivesse salvando-as do esquecimento, para quem quisesse delas se servir.

Mantive a coleção como pano de fundo. A coleção vinha crescendo com o seguinte critério: nada de eletrônica. Eu uso tudo o que tenho e acabo me apegando a esses objetos. As câmeras mecânicas quebram, mas as eletrônica morrem, e isso me incomoda. Me dá agonia pensar que, mesmo tomando o maior cuidado, um dia posso tirar uma câmera do armário e vou perceber que ela nunca mais irá fotografar. Por isso fico com as mecânicas, pois essas sempre ressuscitam com um pouquinho de solvente e lubrificante novo.

O segundo critério, o que desde o início eu procurei e que sempre orientou minhas escolhas, foi poder contar a história da fotografia através da coleção. Não me atraem as câmeras fora de série, experimentais, talvez até criativas, mas sem sucesso. Gosto de tudo que marcou época, que fez a alegria de milhares ou milhões, que esteve nas casas dos comuns e nos estúdios dos famosos. A fotografia é um excelente crivo para se contar a história da própria sociedade e é essa possibilidade que me interessa.

Bem, com tudo isso, acho que fica fácil entender que o apenas imagens seja relançado agora no final de 2025 como um museu online da fotografia. É um relançamento forçado pois precisei mudar o tema do WordPress que ficou obsoleto. Mas pressionado por esta urgência eu pensei que já é tempo de fazer essa transição. Ela simplesmente consiste em não mais organizar o site por tipos de equipamento mas sim em uma linha do tempo cobrindo desde o início da fotografia, no meio do século XIX, até o fim do século seguinte e paro por aí.

Sobre o nome, ‘apenas imagens’, assim em minúsculas, a razão é filosófica e relaciona-se ao interminável debate que sempre existiu entre ‘essência’ e ‘aparência’. Fala-se muito nos dias de hoje que somos uma cultura do visual, da representação, e que não distinguimos mais o que é real do que é virtual. Gosto do ‘apenas imagens’ pois soa para mim sempre de modo ambíguo a esse respeito. Um sentido é direto e depreciativo, coisas que não são, apenas parecem, apenas imagens, inexistências, por assim dizer. O outro sentido é o do espanto pela constatação de que são apenas imagens e no entanto, como nos subjugam! Como nos são caras e importantes! Que influência enorme exercem sobre nós! Que capacidade que elas tem de formar nossos gostos, opiniões e valores. Nesse sentido o ‘apenas’ assume um sentido oposto ao anterior, através da ironia, e me agrada bastante.

Wagner Lungov
01/01/2026