Vernaculaires | Clément Chéroux

A discussão sobre fotografia vernacular ganhou um espaço inesperado dentro da discussão da fotografia nos círculos da arte contemporânea. Artistas, curadores, colecionadores, editores e outros agentes do mercado da cultura resolveram, nas últimas décadas, dar atenção a outras possibilidades de uso da câmera.

Neste livro, a tentativa inicial de definição como uma fotografia útil, doméstica e popular, acaba sendo trocada por “… ela agrupa tudo que não faz parte da arte. Ela se situa fora daquilo que até o presente foi reconhecido como sendo digno de interesse pelas principais instâncias de legitimação cultural. Ela se desenvolve na periferia do que é referência, conta ou pesa dentro da esfera artística.”

A abrangência dessa definição já é sentida quando se passa pelo índice do livro e vemos reunidas fotos de fantasmas, fotos científicas, fotos vendidas em quermesses, fotos para documentos, etc, etc. Todo fotógrafo que não pensou em ter seu trabalho exposto em alguma galeria de arte é um fotógrafo vernacular.

É claro que inclui-se aí a grande massa das fotografias que chamamos de “amadora”, de família, de passeios, de finais de semana, de festas e ocasiões das quais a fotografia será antes de mais nada uma “lembrança”. Nesse capítulo o autor faz uma distinção entre fotógrafo expert e fotógrafo leigo (expert e usager no francês). Enquanto que o primeiro tem uma intenção estética e domina a técnica fotográfica, o segundo almeja apenas um registro decente sem nenhum perfeccionismo em nenhuma direção técnica ou estética.

É interessante a leitura pelos pontos de discussão que introduz e pelas muitas curiosidades que trás. Mas não vai muito além do óbvio. Pode-se perceber que a grande questão sublinhando toda a discussão é sobre as possibilidades da fotografia vernacular como mercado pois ela não se presta muito a quesitos como autoria, dificuldade, novidade, raridade e outros que ajudam a valorizar uma obra de arte quando ela já nasceu nesse seu habitat natural.

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