Vitor Carvalho | Uncle Dunha
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Toda imagem é um convite à imaginação. A imagem fotográfica é um convite a nos imaginarmos dentro dela, bem lá onde estava o fotógrafo, na presença de quem ou o que ele fotografou. É claro que isso é uma impossibilidade no sentido literal. Mas e se literalmente inserirmos nossa imagem dentro da outra imagem? É com essa possibilidade que Vitor Carvalho experimenta interagir com vários clássicos da fotografia.
Para funcionar, a imagem de base precisa ser conhecida de quem a observa, daí as escolhas penderem apenas para fotografias muito famosas na história da mídia. Você irá reconhecer nomes como August Sander, Robert Capa, Henri Lartigue e Robert Doisneau, entre outros. “Funcionar” no caso significa reconhecer que há algo estranho. A interferência nem almeja ser absolutamente ilusionista e isso reforça seu caráter de embuste declarado e sem perdão. Não há chance de escapar nem para os olhos mais distraídos.
O intruso é um personagem chamado Uncle Dunha, criado por Vitor Carvalho há mais de 20 anos, muito antes da IA, e que já o acompanhou em diversos projetos. Neste em especial, é no conjunto das intervenções que ele ganha uma certa personalidade burlesca que migra de uma foto a outra. Ele pode estragar nosso voyeurismo na cena do beijo de Doisneau, ou nas meninas de Cartier Bresson, nas quais Uncle Dunha ostenta um certo ar de reprovação deixando claro que nos observa enquanto observamos. Pode substituir um dos três caipiras de August Sander, mas com uma súbita empatia que não se vê em seus “colegas”. Ou pode ainda quebrar a atmosfera mítica, na foto de Herb Ritts, mostrando-se como simples mortal embasbacado nos braços da deusa Madonna.
O resultado são novas imagens que ao jogarem com nosso conhecimento prévio dos originais permitem a Vitor Carvalho nos transmitir algo de sua própria fruição primeva justamente onde ela potencialmente ressoa com a nossa. A força desses clássicos foi construída ao longo da história, da circulação, da extensamente repetida exposição de tais imagens. As fotos alteradas, mas não adulteradas, desta exposição são uma maneira bem humorada de compartilhar essa força expressiva universal que elas têm.
Sobre o autor
Vitor Carvalho é artista visual, fotógrafo, professor e produtor cultural de Atibaia (SP). Graduado em Educação Artística pelas Belas Artes, com especialização em Ensino, Arte e Cultura pela ECA/USP e formação em Artes Visuais pela Unicamp.
Sua trajetória transita entre fotografia, artes visuais, curadoria e produção cultural, tendo criado e participado de projetos que aproximam arte, cidade e cotidiano. É fundador e diretor da Incubadora de Artistas, espaço de criação e difusão cultural que atua em Atibaia desde 2013.
Em sua produção artística, investiga principalmente a memória, a paisagem urbana e os modos de olhar para a cidade, transformando o cotidiano em matéria de criação.
Contato Instagram: Vitor Carvalho














Fantástico! Trabalho perfeito, encaixou muito bem …kkk