Prensa para impressão de negativos por contato

Em 1841quando o processo negativo positivo de Henry Fox Talbot, o calótipo ou talbótipo, foi aperfeiçoado e fotógrafos começaram a adotá-lo, a prensa de contato fez sua entrada na fotografia.

É um aparelho muito simples. Ele serve para se transferir a imagem do negativo para o positivo, em outras palavras, serve para imprimir a fotografia. O primeiro processo de impressão, e que fazia parte do passo a passo do calótipo, foi o papel salgado, mais tarde veio a albumina associada ao colódio ou placa úmida e mais tarde ainda vieram os papéis usando a gelatina como meio de suspensão para os sais de prata e em geral associados às placas secas também com gelatina e mais tarde ainda os filmes.

Existiram outros processos de impressão como o cianótipo, van dyke brown, platinotipia e todos esses fazem uso da prensa por contato. O que todos esses processos têm em comum é uma necessidade de muita luz e em geral uma luz mais na região do ultra violeta, que é a parte vizinha e mais energética que o espectro visível.

Os ampliadores só vieram mais tarde quando foram desenvolvidos papéis com sensibilidade suficiente para se poder imprimir com uma luz bem mais fraca que a luz direta de um dia claro.

Na foto acima, atribuída ao próprio Talbot, vemos uma série de prensas de contato ao sol. Talvez estivessem imprimindo seu Pencil of Nature.

Nesta ilustração do livro The Studios of Europe, de 1882, vemos uma instalação praticamente industrial, na qual a luz vem de janelas enormes dos dois lados do galpão. Pela data, seria provavelmente para as Cartes Cabinet e Cartes de Visite, visando grandes volumes de impressão usando a prensa de contato.

Acima, uma instalação da Kodak em Harrow, na Inglaterra, por volta de 1900. Pilhas de prensas de contato sobre o balcão central e janelas dos dois lados para prover a luz do dia. Vemos uma lâmpada pendendo do teto bem no centro da foto e ela sugere a pergunta: por que não usavam luz elétrica que é mais regular que a luz do dia?

Sim, ela é mais regular mas é muito mais fraca e os papéis da época eram sensibilizados muito mais pela parte ultra violeta do espectro, como foi dito acima, foi no início do século XX que papéis mais sensíveis e passíveis de serem sensibilizados com a luz amarelada de uma lâmpada entraram no mercado e foram massivamente adotados.

Como funciona a prensa

É um pouco óbvio que ela deve apenas prover um contato bem firme entre o negativo e a superfície sensível do papel. isso é feito prensando os dois contra um vidro.

A coisa que não é tão óbvia é: por que toda prensa de contato tinha uma traseira articulada? Para responder a essa pergunta é preciso se considerar dois tipos de impressão:

1- Printing Out Paper (POP)

Os primeiros papéis, como o papel salgado, a albumina e mesmo alguns papéis de gelatina, eram do tipo POP, isto é, a simples incidência da luz já fazia com que a imagem aparecesse bem nítida sobre o papel. A articulação atrás da prensa de contato servia para inspecionar o avanço da exposição que podia durar alguns minutos. Passado um certo tempo levantava-se uma parte da traseira para ver se já estaria na hora de interromper a exposição ou se seria melhor deixar mais algum tempo. A outra parte mantinha o papel prensado e assim não se perdia registro caso a opção fosse fechar a prensa novamente e expor mais.

Como os papéis eram muito pouco sensíveis, esta rápida inspecionada, feita ao abrigo da luz direta do sol, não chegava a manchar a foto.

2- Developing Out Paper (DOP)

Os papéis mais sensíveis, que foram desenvolvidos apenas por volta de 1890, não apresentam uma imagem visível apenas pela exposição à luz. Assim como os filmes eles, depois de expostos, ficam com uma imagem latente que precisa ainda ser revelada. Nesse caso a articulação na prensa de contato não tem utilidade. Esses papéis eram chamados Gaslight Papers, papéis para luz à gás. A marca mais famosa, que aparece em muitas propagandas da época era a Velox.

Por que as câmeras eram tão grandes?

Auto retrato de Hermann Krone, fotógrafo de Dresden, por volta de 1858
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Como apenas a cópia por contato estava disponível até pelo menos os anos 1890, era preciso desde o início, desde a tomada da foto, utilizar-se um negativo que já determinava o tamanho da foto final. A miniaturização da fotografia com filmes, até o tamanho que hoje chamamos de full-frame, 24x36mm, introduzido pela Leica de Oscar Barnack em 1925, dependeu de muitos fatores, muitas condições anteriores. Uma delas foi o desenvolvimento de papéis tipo Developing Out Papers, como foi dito acima. Só a partir de então é que a prensa de contato foi substituída pelo ampliador.

Isso não deixa de ser uma pena, pois uma cópia por contato, feita a partir de um negativo grande, é uma coisa muito bonita. Ela trás uma riqueza de detalhes que está no grau máximo que aquele negativo pode render. Não se vê grão algum e os cinzas parecem muito sólidos. Só mesmo vendo uma nas mãos para sentir o efeito que o contato produz. Por melhor que seja a lente do ampliador perde-se alguma coisa ao se adicionar esta passagem a mais.

Para finalizar, é preciso dizer que a rigor, existiram ampliadores que por meio de espelhos capturavam a luz do sol, externamente, e a dirigiam para dentro de uma sala onde essa luz era usada para ampliar um negativo. Mas eram máquinas complexas e raras, algumas até como mecanismos para acompanhar a movimentação do sol. Eram mais de uso científico e não representam a fotografia da época.

Não é tão difícil se encontrar uma prensa vintage como essas mostradas aqui neste post. Mas também não é difícil construir uma caseiramente. Elas são indispensáveis para quem quer fazer alguns processos artesanais como cianótipo, van dyke brown, goma, papel salgado ou platina. Siga este link e veja uma maneira simples, que não requer muitas ferramentas e já se obtém um resultado bem prático: Construa uma prensa de contato.

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