Prensa para contato

Uma prensa para imprimir fotografias por contato é algo muito útil em qualquer laboratório. É útil para fotografia em grande formato, quando ampliadores já não acompanham o tamanho dos negativos e é útil também para processos que usam luz UV (ultravioleta), seja do sol ou artificial. É o caso de Van Dyke, Goma, Cianótipo, Papel Salgado, Platina/Paládio e outros que podem ser pesquisados ou ainda inventados.

Neste artigo você verá o projeto de uma dessas prensas. Assista o vídeo e veja como ela é, como funciona, e depois siga o passo a passo para construir a sua. Caso você não tenha nenhuma habilidade com marcenaria, ainda assim este tutorial pode lhe ser útil para que você consiga explicar o projeto a um marceneiro que poderá facilmente executá-lo para você.

 

O ponto de partida é o vidro pois ele irá determinar o tamanho da prensa. Eu usei, no caso, um vidro de um scanner de mesa. Achei a ideia boa pois imagino que o fabricante tenha especificado um vidro menos propício a riscar. Além disso  o tamanho que passa um pouco do A4 é bem conveniente. Finalmente, ele já tem as bordas lapidadas. Em uma sucata, um scanner velho pode ser encontrado por R$ 20,00. Obviamente, o vidro pode ser comprado em uma vidraçaria.

O primeiro passo é cortar pequenos sarrafos de 2×2 cm que façam a volta no vidro conforme mostra a foto acima. Sarrafos nesta medida podem ser comprados já aparelhados em lojas que vendam guarnições para armários. Super-centers de construção também costumam ter.

Para montar o quadro, basta um parafuso de 3x30mm em cada canto. Uma observação para quem não sabe nada de marcenaria é que o furo na primeira madeira deve deixar o parafuso passar folgado. Ele não pega rosca na primeira madeira, apenas na segunda. Veja que a broca é mais grossa que a rosca. Se você tiver uma ponta para embutir a cabeça do parafuso na madeira (foto acima), ficará mais bonito. Se não, uma broca grande pode fazer o serviço. Comece por ela pois com o furo menor já feito há uma tendência da broca grossa ser “puxada” para dentro da madeira, e aí você estragou seu sarrafo.

Como estamos falando de um único parafuso é uma boa ideia passar cola na junta. Cola branca para madeira é a ideal. É melhor fazer os furos e montar com o parafuso primeiro, sem a cola, verificar se está tudo OK, e em seguida desmontar e remontar colando. Não é boa prática montar de primeira já com a cola.

Para montar é importante que as peças estejam bem presas. É um excelente investimento na qualidade de sua marcenaria se você adquirir dois grampos como mostra a foto acima (caso ainda não os tenha). O furo passante (na primeira madeira)  é feito antecipadamente. Depois, com as peças presas em uma madeira no esquadro (canto de 90º), é feito o furo da rosca e em seguida vem o parafuso ainda com as partes presas. Isso assegura o bom posicionamento.

Sobre o quadro de sarrafos 2×2 cm virá um outro quadro de sarrafos 2,5 x 1 cm ou algo assim. Não é tão crítico que a medida seja essa. O importante é que haja um excesso que será jogado para dentro do quadro pois é onde será apoiado o vidro.

Novamente, o mesmo esquema, faça o furo passante e depois, com as peças presas na posição, faça o furo da rosca. Esse é o momento apresentado na foto acima.

Uma vez feito este segundo quadro, parafusado no primeiro, já é possível se colocar o vidro e conferir que ele se encaixa certinho e se apoia na borda do segundo quadro. 3 a 5 milímetros de apoio para o vidro serão já suficientes. É importante que ele se apoie igualmente em toda a extensão da borda. Se isso não acontecer é por que a estrutura empenou. Tratamento de emergência: com a cola ainda úmida (se não, solte e reaplique), coloque o quadro sobre uma mesa bem plana, solte um pouco os parafusos do primeiro quadro para relaxar a estrutura, coloque o vidro com um bom peso bem no seu centro até que esse peso force a estrutura a se aplainar (entre o vidro e a mesa). Pode-se também usar grampos para firmá-la na posição. Com ela presa, aperte os parafusos até dar aperto, mas sem deixar a estrutura começar a empenar novamente. Quando os quatro estiverem no aperto que ainda segura o quadro no plano, deixe a cola secar de um dia para o outro e isso deve solucionar o problema.

Agora é hora de fazer o fundo dobrável. Eu escolhi um compensado de 18 mm. Acho que menos que 12 mm não irá oferecer uma boa base. Não use MDF, o compensado é muito mais confiável quanto a deformações. Lembre-se que essa parte precisa ser plana como o vidro. Se por acaso, depois de montar, por falta de qualidade das dobradiças, você notar que há um desnível entre uma parte e outra do fundo, solte as dobradiças e calce a parte mais afundada com papelão, papel grosso ou qualquer coisa firme que compense o defeito da dobradiça.

As molas de fita, como se usava antigamente, são mais difíceis de se achar. Eu adaptei duas molas que tirei de uma impressora antes de jogá-la fora (sempre depeno molas, motores, parafusos, conectores… etc, etc… um bom hábito). Mas você pode encontrar facilmente molas em uma casa especializada em sua cidade ou pela internet. Para que a mola fique firme, eu usei uma broca chata (foto acima) que fez um rebaixo no compensado. Você terá que improvisar algo conforme a sua mola.

Agora é preciso colocar as duas travessas que irão comprimir as molas e assim fazer o fundo comprimir o vidro. Use novamente os grampos para fixar as peças na posição que deverão ficar. É muito difícil marcar ou furar peças soltas. Com o grampo prendendo as duas partes marque a posição dos furos (foto acima).

Não é boa prática furar os quatro e depois parafusar a dobradiça. A não ser que você tenha uma furadeira de bancada, é muito comum que o furo dance um pouco e saia da marcação. Fure apenas um (foto acima, dobradiça da esquerda), coloque o parafuso e use a dobradiça como guia para furar os outros e parafusar.

Do outro lado das travessas você irá precisar de um fecho. Esse tipo de quinquilharia se encontra em lojas de artigos para quem faz bolsas, caixas e artesanatos. Se não, algum gancho pode resolver. Dois parafusos com as cabeças para fora e uma argola seria talvez o caso mais tosco, mas já funcionaria.

Já como acabamento, é preciso forrar o fundo com alguma espuma. Eu usei EVA de 2 mm e está funcionando bem.

Pronta, a prensa irá ficar algo assim como na foto acima. A dobradura divide o fundo em 1/3 e 2/3 e as travessas passam pelo meio de cada uma dessas partes.

Finalmente, a vista do lado onde o papel ou material sensível será colocado para receber a luz. Conforme a espessura do que será prensado, é preciso se dar folga na mola e nas duas travessas do outro lado. Mas para papel e filme, em geral, nem é preciso se preocupar com isso.

Bem, esse é um projeto de nível de dificuldade bem baixo e tolerância bem grande. O encaixe das madeira não precisa ficar maravilhoso e se o fundo se adaptar bem ao vidro, com uma pressão uniforme em toda a sua área, isso é tudo o que importa.

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