Claudio Machado | Grande Universo das Pequenas Flores
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Quando no Renascimento, lá pelo ano 1500, a natureza se tornou uma referência para a arte, o objetivo de simplesmente copiá-la, pintar aquilo que os olhos viam, na verdade parecia um objetivo menor e indigno do artista. O que se procurava era recriar uma natureza perfeita, mais perfeita que a própria natureza. É o que resumiam na fórmula tão citada nos tratados daquela época: “a arte deve superar a natureza”.
A câmera fotográfica, que à primeira vista apenas registra o que está à sua frente, ainda que registre com exatidão, seria para o artista renascentista uma máquina sem interesse e incapaz de produzir uma obra de arte.
A séria de micro-fotografias de Claudio Machado, “Grande Universo das Pequenas Flores” não deixa de ser uma irônica demonstração de que em fotografia, mesmo quando straight photography, mesmo sem retoques ou IA, também é possível se “superar a natureza”. Em certo sentido suas imagens não existem, são criadas, porém elas são ao mesmo tempo… pura natureza.
Esta exposição reúne um conjunto de micro-fotografias ao qual Claudio Machado está sempre adicionando novas experiências. Mas sua produção tanto como fotógrafo, laboratorista e restaurador vai muito além. Não deixe de visitar o seu Instagram para conhecer mais de seu trabalho.
Motivação
O que me leva a montar todo o aparato de um micro estúdio fotográfico é sempre estar querendo fotografar. Sou uma pessoa inquieta e estou constantemente pensando em algum modo improvisado de fazer uma imagem acontecer. Estou sempre querendo fotografar a grandiosidade das minúsculas flores. Não me importo se repito a flor — são as que estão mais próximas de mim. O que me interessa é mergulhar em um mundo pouco visível, mesmo que a perfeição esteja longe do que faço. Me esforço, estendo meus sentidos nesse universo. Cada imagem é um pequeno laboratório.
O desafio é conseguir adaptar várias fontes de luz para que o efeito seja unicamente da foto. Gosto de misturar luzes como contínua, flash e flash com diversos aparatos de fibra ótica, fundos com ring flash e acetatos coloridos, gerenciando os disparos por antigas fotocélulas. Dou preferência a pouco tratamento, por vezes usando somente a técnica de empilhar imagens, o que por si só já produz maior foco e saturação, sem intervenção do que hoje mais percebemos: a inteligência artificial. Busco nitidez. Uso da imaginação para fazer meus próprios equipamentos de suporte e de iluminação. Sempre acreditei que um bom fotógrafo ou um bom laboratorista tem, necessariamente, que ter conhecimento em diversos campos e em trabalhos manuais, ter ferramentas para dar suporte à produção de uma imagem.
Claudio Machado
Making of
Biografia
A fotografia surgiu em minha vida através do laboratório de fotografia analógica. Minha experiência como laboratorista em 1976 foi decisiva para que a imagem fizesse parte da minha história. Posso afirmar que grande parte do que produzi em imagem fotográfica, até a mudança para o digital, foi pela necessidade de ter um material sensibilizado para poder estudar o processo químico.
Como fotógrafo participei em 1984 com destaque na “Bienal Tradição e Ruptura” (Bienal de São Paulo). Ganhei uma Bolsa trabalho da Kodak para desenvolver na Pinacoteca do Estado o trabalho sobre a influência da arte do museu nos funcionários da limpeza e vigilância (Trabalho tombado pelo museu). Menções honrosas em salões de fotografia de Poços de Caldas, Centro Unificado de Brasília e Salão de Arte Fotográfica Bunkyo. Em 1986 ganhei primeiro lugar no concurso fotográfico promovido pela Folha de São Paulo. Em 1988 participei da coletiva de fotógrafos no International Photo Meeting no SESC Pompéia.
Por volta de 1986 comecei a ter experiências como coordenador de diversos eventos importantes no cenário da fotografia brasileira como Projeto Nossa Gente, Semanas Paulista de Fotografia I, II e III, I Encontro Paulista de preservação e Memória. Participei da equipe técnica como printmaker dos projetos “Memória Vera Cruz” e também “Fotógrafos Pioneiros do Interior Paulista”. Devido ao meu conhecimento com os processos de fotografia analógica e também em elétrica e hidráulica, fiz diversos projetos de reforma e estruturação de laboratórios fotográficos para instituições como Museu da Imagem e do Som(MIS), Oficinas Culturais Três Rios ( hoje Oficina Cultural Oswald de Andrade) ,Museu de Santo André e também para fotógrafos autônomos.
Em 1988 fui curador da mostra “100 anos de equipamentos fotográficos” no Centro Cultural Três Rios onde tive o prazer de reunir acervos importantes da fotografia como acervo da Kodak, Cinótica, Museu da Imagem e do Som, Carlos Eugenio Marcondes de Moura e Família Parodi. Em 1989 conheci um mestre impressor e estudioso dos processos fotográficos, Renato Cury, que me levou a trabalhar no Laboratório São Paulo. Fundei o Laboratório Fotográfico A3 também em 1989 voltado exclusivamente para processos coloridos. Passei a fazer experiências com químicos alternativos coloridos que serviriam a muitos fotógrafos para revistas como Goodyear, Vogue, Marie Claire e Playboy entre outras.
O laboratório químico profissional proporcionou ter contato e estudar a imagem das diversas vertentes da fotografia, pois passaram por minhas mãos trabalhos de fotógrafos conhecidos como Andreas Heininger, Bob Wolfenson, Willy Biondani, Arnaldo Papalardo, Sadao Neets, Angelo Pastorello, Cynthia Brito, Ed Viggiani, Lalo de Almeida, Adriana Zebrauskas, Eder Chiodetto, Rogério Assis, Juan Esteves, Klaus Mitteldorf, Pedro Martinelli, Valério Trabanco, Ary Diesendruk, Alexandre Meneguini, Marlene Bergamo, João Musa, Marjorie Sonnenschein, Nelson Toledo, Roberto Linsker entre outros. De 1989 a 1995 ministrei vários workshops.
A formação em publicidade me levou para a área da fotografia culinária que resultou em alguns livros. Na área de fotojornalismo passei brevemente como freelance para a Folha de São Paulo e revistas da editora Três.
Em 1998 fundei o laboratório Preto e Branco Fineart “Mister Labo” que também oferecia processamento E6 e C41 buscando uma qualidade diferenciada. Permaneceu até 2007. Após este período passei a trabalhar com tratamento, escaneamento e cópias pelo processo digital na “Machado Estúdio Digital”.
Trilhei por diversos caminhos como fotógrafo, mas o laboratório químico esteve mais presente.
Minha busca pela imagem de maior acutância dentro do laboratório químico colorido através do estudo de técnicas alquímicas como “ Aceleration” e no laboratório preto e branco com o uso de equipamentos que proporcionavam cópias com maior nitidez dos grãos dos filmes como “Point Source Lamp” influenciou de certa forma este trabalho que apresento nesta exposição “Grande Universo das Pequenas Flores”.
Claudio Machado
































Não conhecia metade de sua biografia, mas desde que o conheci via internet, venho acompanhando suas postagens, seus consertos de equipamentos e, agora, descubro um verdadeiro CONCERTO, grandioso pela sua abrangência, precisão e sensibilidade na fotografia, essa paixão em comum.
Sem comentários para essa pessoa que está sempre ativa, acompanhando a evolução dentro da fotografia e sempre ajudando a todos nas maiores dificuldades inclusive com os equipamentos que param de funcionar, e em uma mágica de seu conhecimento voltam a funcionar.
Parabéns por sempre brilhar, como marido, amigo, pai e professor de todos.
Néia