Leica I model A | Ernst Leitz

Este é o modelo da Leica lançada em 1925 na feira de Leipzig. Este exemplar em especial foi fabricado em 1930. Isso pode ser pesquisado pelo número de série pois a Leitz manteve um bom registro de sua produção.

Ela é muito pequena e as laterais arredondadas dão a sensação de que ela desaparece entre as mãos. O dedo indicador da mão direita cai naturalmente sobre o botão de disparo.

Olhando para o topo da câmera, da esquerda para a direita, temos:

  1. Botão para rebobinar o filme
  2. Visor
  3. Sapata para acessórios, o mais comum era um telêmetro
  4. Seletor de velocidades, Z (Zeit, aberto enquanto pressionado, 1/20 até 1/500s)
  5. Alavanca seletora entre avançar ou rebobinar
  6. Botão disparador
  7. Botão para avançar o filme e armar o obturador
  8. Contador progressivo de fotos até 36

A lente é a Elmar colapsável 50mm f/3,5. Não há nenhum auxílio para focalização. A não ser que se utilize um telêmetro externo, é preciso se estimar visualmente, ou efetivamente medir a distância até o assunto principal e marcar esta distância na lente girando a alavanca no alto à esquerda. A haste com dois parafusos na posição 9h, mantém a objetiva na posição infinito e é preciso libera-la para qualquer outra distância.

Esta Leica em especial tem uma característica relativamente rara. A sua Elmar focaliza até 1,5 pés ou aproximadamente 45 cm. A maioria esmagadora das Elmar focam até 1 metro. Infelizmente a Leitz não deu um código especial para estas lentes e fica difícil se rastrear. O que se sabe é que eram normalmente marcadas em pés e que equiparam algumas Leicas I pois da Leica II em diante, pela adição de um telêmetro na própria câmera, a distância mínima precisava ficar mesmo no 1m.

A câmera como um todo é muito robusta. Ela tem cerca de 200 peças mas nenhuma é muito delicada e tudo se ajusta perfeitamente sem folgas.

O ponto de atenção com essas câmeras são as duas cortinas. Uma abre o quadro e a outra fecha. O material é tecido emborrachado e com o tempo elas ressecam e precisam ser substituídas. Eu precisei trocar nessa Leica I A pois quando ela chegou parecia que estava abandonada por décadas. Foi assim que pude conhecer melhor e admirar mais essa preciosidade da engenharia.

No uso

Pode gerar um certo pânico, para quem já nasceu com câmeras automáticas ou smartphones, a ideia de que é preciso se ajustar velocidade, abertura e foco manualmente a cada foto. Mas esse não é o espírito Leica.

A estratégia é pensar que toda foto acontece em um ambiente em que o fotógrafo já está. Ele não espera ver algo interessante para daí começar a medir ou estimar a luz. Se ele estiver na rua (habitat natural da Leica) ele já deixa a câmera ajustada para algo razoável conforme a luz do dia. Pode ser algo como 1/100s, f/8 para um filme ISO 100. Se ele entra em um ambiente, uma sala bem iluminada ele já abre a lente para f/5.6 e cai a velocidade para 1/60.

O segredo é andar preparado. Conforme o assunto, deixa-se o foco travado no infinito, talvez 4 metros, 2 metros? Dessa forma havendo algum ajuste de última hora fica fácil fazer ou, se for um motivo fugidio é só enquadrar, disparar e ajustar depois no laboratório. Com um pouco de prática a antecipação fica automática e é a melhor amiga do fotógrafo.

Para completar, o tempo necessário entre um disparo e outro, com a Leica tornou-se uma questão de 1 segundo, apenas o suficiente para se girar o avanço. Comparado com tudo que existia naquela época isso foi uma mudança muito radical e trouxe um novo dinamismo para o ato de fotografar.

É verdade que as falling plate cameras também permitiam fotos em sequências muito rápidas, mas a ergonomia dessas câmeras, o visor tipo brilliant finder, o tamanho enorme e ainda o barulho que faziam as placas caindo, deixava claro como eram desajeitadas e obsoletas.

A primeira câmera na qual tudo concorria para uma fotografia silenciosa, ligeira, livre como o próprio olhar e com qualidade de imagem, foi a Leica.

Acima, um retrato feito com esta Leica I A, em um restaurante. Abaixo um instantâneo em uma feira agrícola. As duas fotos foram feitas sem fotômetro e sem telêmetro.

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