Papel albuminado

O processo de impressão usando como base a albumina, a clara do ovo, chegou a uma versão operacional com o francês Louis Desire Blanquart-Evrard em 1850. Foi quando ele procurava aperfeiçoar o papel salgado de Talbot e, como veremos, os dois processos tem realmente muito em comum.
É difícil se falar em pioneirismo em fotografia pois naquela época experimentava-se de tudo e publicava-se de tudo, mesmo quando o resultado não tivesse sido propriamente um sucesso. Mas aceita-se que foi com Blanquart-Evrard que o método chegou a um estágio que realmente, merece ser chamado de “a invenção”.
A importância do papel albuminado é enorme. Principalmente se visto em combinação com a placa úmida, o colódio, de Scott Archer que veio ao mundo no ano seguinte para produzir os negativos. A combinação é muito feliz pois enquanto que o negativo de vidro dá uma riqueza de detalhes incomparável ao negativo conhecido até então, o calótipo de papel de Talbot, o papel albuminado apresenta uma superfície que tem um brilho discreto que, graças à sua faixa tonal muito extensa, rende maravilhosamente bem todos os detalhes do negativo, tanto nas sombras como nas altas luzes.
Praticamente todas a fotografias impressas entre a década de 1850 até o final dos anos 1880, foram realizadas com o negativo de vidro da placa úmida e a impressão por contato com o papel albuminado. Existiam outros processos, mas esta combinação dominou completamente a cena. Basta dizer que era o meio e até o possibilitador das carte de visite que são normalmente referidas como a febre ou o furor, por colecionar e se fazer retratar, durante todo esse período.
O processo do papel albuminado
Basicamente, se no papel salgado a folha é banhada em uma solução aquosa de cloreto de sódio, no papel albuminado ela é banhada em uma solução de cloreto de sódio enriquecida com albumem.
1- Preparo do albumem
Separa-se a clara do ovo e ela é batida em neve e misturada com uma solução saturada de sal de cozinha, o cloreto de sódio. Deixa-se esta mistura descansar de um dia para o outro e separa-se o llíquido amarelo que se forma no fundo do recipiente.
2- Recobrindo o papel com albumem
Coloca-se o albumen em uma bandeja grande o suficiente para que o papel a ser preparado posse flutuar dentro dela por um minuto. O papel é retirado e pendurado para secar completamente.
3- Sensibilização
Prepara-se uma forte solução de nitrato de prata e o papel deve ser flutuado, obviamente no mesmo lado em que foi aplicada albumina. A partir desse momento parte da prata no nitrato de prata troca de sal e une-se ao cloreto formando o cloreto de prata que escurece quando exposto à luz. Pode-se operar com luz bem fraca ou luz de segurança âmbar ou vermelha, pois este papel só é sensível ao ultravioleta e azul, que é a parte mais energética do espectro. Para secar, é mais seguro que fique em escuridão total.
4- Exposição
A exposição não precisa ser imediata mas é melhor que também não demore semanas ou meses. Deve-se prensar o papel a ser impresso contra o negativo e ambos contra um vidro. A exposição é mais efetiva sob o sol direto ou mesmo na sombra, mas à luz de um céu azul. É possível se inspecionar a imagem se formando pois o escurecimento começa imediatamente. Para isso basta abrir a articulação na prensa de contato de preferência protegendo o papel da luz mais forte para que não manche.
5- Finalização
O papel precisa ser então lavado para remover o nitrato de prata que não reagiu com o cloreto de sódio. Em seguida um banho de Tiossulfato de Sódio irá remover os cloretos de prata que não escureceram, para que não escureçam mais tarde. Por fim lava-se bem o papel com algumas trocas de água na bandeja, intercaladas com agitação. Nesse ponto é só secar o papel.
6- Viragem
Esta etapa é opcional, mas ela aumenta bastante a permanência inalterada da imagem. Normalmente é feita com uma solução de cloreto de ouro. Sem a viragem há uma tendência de esmaecimento das sombras e ao final de alguns anos nota-se um clareamento geral.
Conclusão
Quando surgiram as fotos impressas em albumina tudo que existira antes pareceu mais como um prelúdio. Tudo que veio depois foi em primeiro lugar comparado à albumina. Ela definiu o que seria, fisicamente falando, uma fotografia. Seria em papel mas não dentro do papel, como parecia ser o caso do papel salgado, do qual viam-se as fibras e a imagem era mais uma intrusa. A imagem, na albumina parece definir uma nova ou até prescindir de superfície real. Ela é virtual, invisível, ilusória, na qual a imagem reina absoluta. Ela trouxe transparência para a mídia fotográfica como se não houvesse nada entre o observador e o assunto. Foi como se o veredito de Leon Battista Alberti, sobre a essência das imagens, finalmente pudesse se realizar.

Se você está no circuito temático Processos Fotográficos:
Embora tenha tido vida curta, o daguerreótipo criou um padrão do que seria a fotografia como artigo de luxo. Na próxima sala você irá conhecer seu herdeiro: o ambrótipo. Um processo de positivo direto sobre vidro que utilizou o colódio da placa úmida mas criando uma peça única que normalmente era acondicionada em estojos ricamente decorados.
