Exposímetro Solar UV- Projeto completo

 

Impressão com luz UV solar: Cianotipia – a partir de placa seca
13 x 18 cm sobre papel Arches 300g –  fórmula de Mike Ware

Cianotipia é talvez o mais popular processo de impressão com luz UV, ultra violeta. Sem prata, de baixo custo, pode ser realizado sobre diversos tipos de papel e muitos outros suportes. Também a goma, é um processo UV de baixo custo e no qual as possibilidades de cores são infinitas. Existe ainda o Van Dyke Brown,  Papel Salgado e Carbono. Já a Platinotipia e Paládio são igualmente baseados em UV, porém mesmo fazendo-0s caseiramente, custam mais caro que o papel comercial de gelatina de prata. Todos esses são processos históricos, artesanais, que formam um enorme reservatório de recursos de impressão fotográfica.

O que é especial no UV?

A história da fotografia pode ser vista como a conquista do espectro visível pelos materiais foto-sensíveis a partir dos menores comprimentos de onda (UV, violeta, azul) rumo aos maiores comprimentos de onda na região do vermelho. A energia que cada fóton carrega é maior quando menor for o comprimento de onda da radiação. Na faixa do Ultra Violeta, eles simplesmente são mais “potentes” do que na parte visível do espectro. Não foi então por coincidência que nos primórdios da fotografia surgiram processos que só eram sensíveis ao UV pois seus fótons, sendo mais energéticos, têm maior probabilidade de causar alterações nos materiais. À medida que a tecnologia foi avançando as outras cores foram sendo incorporadas à gama de sensibilidade dos processos fotográficos. Com o UV vieram seus vizinhos, o violeta e o azul. Logo depois o verde, que fica mais no centro do espectro. Só no meio do século XX é que se conseguiu chegar satisfatoriamente às regiões do amarelo e vermelho, que correspondem aos fótons mais “fracos”. Ainda assim, essa conquista foi às custas de emulsões que eram ainda muito contrastadas e assim comprimiam os tons de cinza de forma um pouco drástica. O filme pancromático moderno, com uma faixa dinâmica larga, capaz de registrar detalhes nas sombras e nas altas luzes, esse só veio mais para o final do século passado.

Fontes de Ultra Violeta

Para estes processos de impressão que precisam da luz ultra-violeta o fotógrafo tem as opções de utilizar luz artificial ou a luz do sol. As luzes artificiais que realmente têm uma potência razoável e, mais importante, que chegam até as zonas mais eficientes do espectro UV para esses processos, por volta de 365 nm, são caras e mais complicadas de alimentar, ligar e montar no laboratório, especialmente se a ideia for expor cópias de tamanhos maiores.

Fora das luzes artificiais, temos a luz do sol que é grátis, forte e rica  em comprimentos de onda na região boa do UV. Porém, ela é inconstante e não é possível estimar quanto UV está incidindo no negativo sem o uso de instrumentos. Mesmo comparando-se dias de sol na mesma época do ano e no mesmo horário do dia, o nível de UV varia pois ele depende muito das condições atmosféricas. O nível de UV pode variar até mesmo durante a exposição de uma cópia se, por exemplo, nesse espaço de poucos minutos alguma névoa ou nuvem entrar ou sair do caminho dos raios solares. Isso pode ser imperceptível aos nossos olhos mas causar grandes diferenças nas impressões UV. Ou seja, não é possível ajustar previamente a exposição estabelecendo-se apenas o tempo que a cópia ficará exposta pois diferentemente da luz artificial, a luz do sol tem potência variável e imprevisível.

Exposímetro Solar Ultra Violeta

Neste projeto você irá construir um Exposímetro UV para luz solar que resolve esse problema de uma vez por todas. Com ele você não escolhe diretamente um tempo, como se fosse apenas um cronômetro, você escolhe o nível de exposição que seu processo fotográfico precisa. A partir daí, após acionar o exposímetro UV, ele irá acompanhar em tempo real a combinação tempo x intensidade da radiação UV, incidindo no seu sensor, e irá dar um beep no momento em que a exposição atingir um nível pré-estabelecido. Você poderá repetir as exposições, elas terão tempos diferentes mas a mesma energia total. Você poderá fazer tiras de teste e aplicar os resultados encontrados mais tarde, mesmo quando as condições do dia ou atmosféricas tiverem mudado, pois produzirão os mesmos resultados.

Pensando na analogia do balde d’agua, frequentemente utilizada para explicar como que abertura x velocidade se compensam na fotografia. Este Exposímetro Solar UV lida com o sol como se ele fosse uma torneira de fluxo variável e ele dá o alarme quando o balde estiver cheio. Você não escolhe diretamente o tempo, escolhe apenas quantos “litros” quer, ou seja, a dose de UV que você precisa. O tempo irá variar conforme o dia, a hora e as condições atmosféricas, todos esses fatores que influem na quantidade de UV que chega até nós.

Assista o vídeo abaixo para ver como ele funciona e veja a seguir todos os detalhes para a construção do seu Exposímetro Solar UV. Se você não tiver prática com solda e montagens eletrônicas assista também o vídeo Cabeça de Ampliador com LEDs, pois lá estão vários componentes utilizados neste projeto que são mostrados durante a montagem/soldagem.

Se você não tem prática e não quer aprender a montar você mesmo, saiba que este projeto é muito simples e com certeza na sua cidade deve haver alguém antenado nessa onda de robótica e afins que poderá facilmente montar este exposímetro UV para você. Dê uma busca pela palavra chave “Arduino” na sua localidade e você encontrará alguém. Arduino é o nome de uma família de micro-processadores que está movimentando uma legião de jovens, outros não tão jovens, para projetos desse tipo em todo o mundo.

O exposímetro por dentro

Acima temos a caixa de controle aberta. Ela tem basicamente um teclado de membrana do qual só se vê a fita com 7 trilhas, key-pad connector, um display Oled e o microprocessador Arduino Pro Mini 5V. A foto acima é do protótipo que eu fiz e que estou usando. Depois de pronto descobri um jeito mais fácil de passar os fios ligando o keypad do outro lado do Pro-Mini. Se você for muito observador(a) irá notar isso e então já estou avisando. Para a montar o seu, siga o esquema que será mostrado mais abaixo.

A seguir está o sensor UV ML8511. É conveniente que ele seja montado em uma caixinha à parte pois obviamente ele irá ficar no sol, mas não é prático que a caixa de controle também fique exposta. Será melhor para sua conservação e também para facilitar a leitura do display, que ela fique na sombra. O parafuso comprido com porca que se vê na foto abaixo serve apenas para direcionar o sensor. Quando o parafuso não projeta sombra sobre nenhum lado da porca, significa que o sensor está recebendo a luz do sol a pino.

Circuito esquemático

Para alguém como eu que não tem prática em ler circuitos através dos símbolos, acho que fica mais fácil um circuito com fotos dos componentes como é mostrado a seguir. Note que os componentes estão totalmente fora de proporções quanto aos seus tamanhos.

 

Lista de componentes:

  1. Microprocessador Arduino Pro-Mini 5V
  2. Sensor de luz UV ML8511
  3. Display OLED 0.96 polegadas
  4. Teclado matricial de membrana 3×4
  5. Regulador de voltagem LM7805
  6. Interruptor bipolar –  para o liga/desliga
  7. Botão interruptor unipolar – para o Reset
  8. Bateria de 9V com terminais
  9. 1 metro de cabo de 4 vias
  10. Caixa para controle e caixa para o sensor
  11. Trilhos para soldar o Pro-Mini
  12. Placa padrão de Circuito Impresso

Montagem

Para montar, compre uma placa de circuito impresso padrão como esta da foto abaixo ou similar. Elas normalmente tem duas trilhas compridas longitudinais e dois grupos de trilhas de quatro furos nas transversais. O Pro-Mini precisa de uma fileira de 12 furos. Corte a placa por volta de 20 furos e será suficiente (veja a foto da caixa aberta para entender)

A seguir vou dar uma sequência de conexões. Faça um planejamento antes de começar a soldar. Estude o comprimento dos fios para que não fiquem sobrando demais e para que não faltem para não precisar fazer emendas.

  1. Para montar o Pro-Mini você precisa soldar conectores de PCB (placa de circuito impresso, Printed, Circuit, Board, no inglês), machos e fêmeas. Fêmeas vão na PCB e machos no Pro-Mini (veja abaixo nos detalhes dos componentes). Duas fileiras de 12 conectores fêmea receberão os pinos do Pro-mini. Uma fileira de 8 machos, posicionados e ligados aos pinos de 2 a 9 no Pro-Mini, receberão o conector do teclado (3 a 9) e um conector do Sensor UV no pino 2.
  2. Solde o LM7805 pegando 3 grupos de 4 furos no outro extremo da placa, no lado oposto ao Pro-Mini
  3. Ligue os fios do conector da bateria ao interruptor duplo.
  4. Nos furos ligados ao IN e GND do LM7805 (veja abaixo como são os pinos do LM7805), ligue o positivo da bateria no IN e o GND no negativo da bateria. Mas lembre-se que que estes fios vindos da bateria estão passando pelo interruptor. O LM7805 ficará ligado no interruptor.
  5. As duas trilhas compridas nós vamos deixar para fazer o GND geral e o +5V também geral. Elas serão a linha de energia do aparelho. Será usada para alimentar o Sensor UV, o Buzzer, o Display e o próprio Pro-Mini. Ligue então o GND do LM7805 a uma das trilhas compridas. Ligue a outra trilha comprida ao OUT do LM7805, esse é o +5V. Faça uma marca para deixar claro quem é quem entre + e -.
  6. Ligue um fio entre a trilha positiva e o pino VCC do Pro-Mini. Ligue um fio da trilha negativa ao pino GND do Pro-Mini.
  7. Solde o Buzzer com a perna mais curta (negativa) na trilha comprida negativa e a perna mais comprida (positiva) em algum grupo de 4 furos. Escolha um dos furos restantes nesse grupo e ligue-o com um fio até a trilha de quatro furos que tem o pino A0 (A zero) do Pro-Mini. Esse é o pino que irá fazer o Buzzer soar.
  8. Solde dois fios ao push-button que será o reset que reinicializa o Exposímetro. Um desses fios deve ser soldado na trilha negativa comprida, em qualquer lugar que achar conveniente, e solde o outro na trilha onde está o pino RST do Pro-Mini.
  9. Para ligar logicamente o display, o mais prático é você fazer “jumpers” ou comprar prontos. O pino A4 do Pro-Mini vai no SDA do display e o pino A5 vai no SLC ou SLK do display.
  10. Para ligar energia no display puxe um fio da trilha positiva para o VDD do display e outro fio da trilha negativa para o GND
  11. É melhor que o fio de quatro vias do Sensor UV tenha terminais fêmea dos dois lados nos quatro fios. Anote que cores usou para VIN, GND, OUT e EN. Tem um pino 3V3 que ficará sem uso. Ele serve para energizar o sensor com circuitos de 3,3 V, o que não é o caso pois estamos usando 5,0 V.
  12. Na outra ponta do fio, ligue o VIN na trilha longa positiva de 5V e o GND na trilha longa negativa. O OUT do sensor vai no pino A1 do Pro Mini e o En vai no pino 2. Se você não colocou terminais fêmea nas pontas desses fios, você poderá soldar estas pontas diretamente na placa. Do contrário, o que é melhor, você deve ter deixado pinos machos na placa e então só precisa plugar estes fios.
  13. Plugue a fita do keypad na fileira de pinos machos que correspondem aos 3 a 9 do Pro-Mini.

Não importa a maneira como você monte, a caixa que utilize, com sensor externo ou incorporado na própria caixa ou mesmo tudo solto e sem caixa alguma. Se as conexões forem feitas conforme o que foi dito/mostrado acima, tudo que você terá que fazer a mais é carregar o programa para poder utilizar o Exposímetro UV. É possível que depois de uma primeira montagem sua visão mude e você perceba um jeito muito melhor de posicionar as coisas. Por isso é bom comprar uma placa extra e alguns conectores extra para poder fazer essas melhorias.

Conhecendo melhor os componentes

A seguir uma descrição de cada componente e mais detalhes que você deveria saber antes de começar a montar.

Arduino Pro Mini Atmega328 16mhz 5v

Arduino Pro-Mini Atmega328 16mhz 5V – esse é o microprocessador, é a inteligência que irá controlar tudo. Creio que para ocupar menos volume ele vem sem os pinos, como se vê no Pro-Mini da esquerda. A primeira providência é soldá-los. Comece pelos A4 e A5 que ficam no meio da placa. Depois é indiferente a ordem dos outros três pentes. Os grandes são os pinos que o Arduino usa em seu funcionamento normal e os que ficam no lado menor: BLK, GND, VCC, RXI, TX0 e GRN, são de comunicação. É por esses últimos que se carrega o programa. Note que os pentes grandes ficam com os pinos para baixo enquanto que os de comunicação ficam para cima. Não sei por que razão os pinos A4 e A5 não vêm no pacotinho com a placa. É preciso comprar avulsos. Depois de preparado assim o Arduino pode ser plugado e desplugado da placa.

Sensor UV ML8511

O Sensor UV ML8511 pode apresentar variações de um fabricante a outro. Normalmente existe um original que foi desenvolvido por alguma empresa grande e depois existem muitos clones no mercado. O sensor em si é apenas essa pecinha quadrada que aparece no canto inferior na foto ao lado. Mas ele é vendido em pequenos boards que facilitam a montagem e soldagem além de incluir algumas proteções.

É evidente que você precisa deixar o sensor exposto à luz do sol e por isso ele deve ficar em uma pequena caixinha com uma janela. Colar com dupla face um pedaço de vidro é uma boa ideia para sua proteção. Não se importe com a perda de UV causada pelo vidro pois ela é pequena e também o seu material sensível, uma vez colocado na prensa, também estará sob um vidro.

O que importa mesmo sobre o Sensor é a sua resposta à irradiação UV. Ela é mostrada nos seguintes gráficos de seu Datasheet.

O primeiro gráfico mostra que ela é bem linear em uma longa região de diferentes intensidades e que não varia significativamente com a temperatura ambiente. O segundo mostra onde o sensor é mais reativo. Note que ele tem um pico bem a parte mais interessante do espectro UV, quando se trata de processos fotográficos do tipo Cianotipia, Van Dyke Brown, Goma e outros. Este pico de sensibilidade está em ~365 nm.

Ele é fabricado para aplicações ligadas principalmente à saúde e por isso é calibrado para responder bem justamente à irradiação solar. Para o uso como exposímetro em fotografia é preciso que haja sol. Nuvens esparsas, passageiras, névoa, sol de início ou fim de dia, não são problema, porém, em um dia realmente nublado, escuro, com pouco UV, os tempos que ele irá pedir começam a ficar muito longos e erráticos para as doses normais que os processos fotográficos pedem.

Display Oled 0.96 Spi

O display usa apenas 4 pinos pois trabalha com o protocolo I2C para comunicação. Os pinos SDA e SLC são ligados nos pinos A4 e A5 do Pro-Mini, respectivamente. O pino Vcc é ligado no +5V e GND que é o Ground, vai no negativo da placa. Essa ordem pode variar de um fabricante a outro. Verifique o seu. Tenha em mente também que depois de parafusar o display em seu suporte você provavelmente não conseguirá mais ler a marcação dos pinos. Anote antes de realizar sua fixação.

Jumpers

Você irá precisar preparar alguns fios com terminais para liga o display no Arduino. Existem jumpers que são fios com um terminal em cada ponta mas eles têm um tamanho fixo e o fio é em geral muito fino e de má qualidade. Eu prefiro comprar fio e terminais separados e fazer o jumper com solda e no tamanho que vou realmente precisar. No video da cabeça de ampliador usando LEDs eu mostro como que eu faço, não sei se é o melhor modo, mas é fácil e depois de alguma prática fica bem satisfatório.

Regulador de tensão L7805

O regulador de tensão é bem intuitivo. São três pinos: GND deve ser ligado no GND geral pois o terra é comum. IN recebe o +9V e no OUT temos +5V que vai ligado no Arduino Pro-Mini. Também são de 5V o display, o beep (buzzer) e o Sensor UV.  A corrente máxima que o LM7805 pode suportar é de 1,5A, não é muita mas dá e sobra para esta aplicação.

Keypad

Para este projeto um teclado de membrana, auto-adesivo, é o ideal. Ele já vem com uma fita e conectores fêmea que você poderá plugar diretamente em conectores machos soldados na placa e correspondentes aos pinos de 3 a 9 do Arduino. São dois grupos, um de 3 e outro de 4 conectores correspondentes às 3 colunas e 4 fileiras do teclado. Cada vez que uma tecla é pressionada, um par de terminais é colocado em curto circuito.

Não posso garantir que haja um padrão na maneira como as teclas são ligadas pelos diferentes fabricantes. A explicação seguinte funcionou para o que eu montei. Com o teclado na posição da foto, o conector da esquerda é o número 1. De 1 a 4 correspondem as fileiras, de cima para baixo, da tecla 1 até a tecla *. De 5 a 7 são as colunas da esquerda para a direita. O programa que você irá carregar foi escrito para essa configuração. O pino 1 do teclado fica conectado ao pino 9 no Pro-Mini.

Se por acaso, depois de tudo pronto, os números que você digitar não corresponderem aos que aparecem na tela, sem pânico, você deverá apenas mudar a ordem na qual esses pinos são referenciados no programa, não é necessário fazer isso nos fios em si. Veja mais abaixo em configurando o sketch (programa).

Buzzer

Compre um buzzer de 5V que possa ser plugado diretamente na placa. Existem vários tamanhos mas este, que possui aproximadamente 7,5 mm entre os pinos, é um que ocupa exatamente 3 espaços em uma placa padrão. Atenção também à polaridade. O positivo vai no pino do Arduino e o outro no negativo do circuito. Salvo indicação específica em contrário, o pino maior é o +. Se inverter a polaridade ele não irá funcionar.

Bateria e interruptores

A bateria de 9V é bem conhecida. Não deixe de comprar também o seu conector padrão. De resto você irá precisar de um interruptor bipolar para desligar totalmente a bateria do circuito.

Atenção ao Push Button do Reset. Existem botões que ficam normalmente ligados e desligam quando pressionados. O que precisamos aqui são do outro tipo, dos que ficam desligados e fecham somente quando são pressionados. Isso é descrito como NO, normally open, normalmente aberto, ou NC, normally closed, normalmente fechado. O Reset precisa de um NO, verifique isso antes de comprar.

Sketch,  carregando no Pro-Mini

O programa que comanda toda a operação do Exposímetro Solar UV é chamado na linguagem de Arduinolândia de sketch. Vou tentar neste tutorial fazer de modo que alguém possa cegamente carregar o programa no seu Pro-Mini sem saber nada de programação. Se você souber alguma coisa, mas não de Arduino, posso avisar que o código no qual se escreve o sketch é como C++. No arquivo apenasimagens_solar_UV_exposure_meter_pt.zip eu inclui “links úteis” e lá você encontra uma série de links para se aprofundar em projetos de Arduino. Acho que vale muito a pena para fotógrafos analógicos. Meu laboratório é cheio de timers, sensores, aquecedores, resfriadores, secadeiras e outros gadgets feitos com Arduino.

Mesmo sem saber como, pelo menos saber o que se está fazendo é importante. Então aqui vão umas explicações:

  1. O sketch é escrito em forma de texto. Existe editor próprio que se chama IDE que é baixado gratuitamente para plataformas MAC, PC e Linux. Dê uma busca por IDE Arduino e você encontrará onde fazer o download.
  2. O sketch para esse projeto está no arquivo apenasimagens_solar_UV_exposure_meter_pt.zip e chama-se apenasimagens_solar_UV_exposure_meter.ino. Depois de dar file > open  e abrir este .ino você terá a seguinte tela (o sketch abaixo é um genérico).
  3. Depois de carregar o sketch você pode conectar o Pro-Mini na interface Serial/USB (você irá precisar comprar uma, caso não tenha), seguindo a indicação dos cabos, lembrando que o TX de um vai no RX do outro e vice-versa, VCC com VCC e GND com GND e plugar os dois no seu computador. Eu uso um lap-top bem velho, com Windows XP, exclusivamente para coisas do laboratório incluindo a IDE do Arduino. É mais para não jogá-lo fora. Como eu não o conecto à Internet, ele não recebe lixo, e provavelmente irá durar muitos anos assim.
    Como você soldou os pinos no Pro-Mini talvez os nomes tenham ficado um pouco escondidos por baixo do pente. Use a foto abaixo como referência de onde estão GND, VCC, RXI e TXO. Ficam na borda da direita na foto abaixo
    A seguir, uma típica interface serial/USP ou USB to TTL, em detalhe e frente e verso.Os fios já estão arrumados para plugar diretamente no Pro-Mini seguindo o padrão de preto – e vermelho +.
  4. Embora esteja ligado fisicamente é preciso verificar se estão ligados logicamente. Isto é, se eles “perceberam” que estão ligados. A IDE está preparada para lidar com diversas variações da arquitetura Arduino. Você precisa dizer qual é o seu. Vá no menu e clique Tools > Board e escolha “Arduino Pro or Pro Mini”. Depois vá em Tools > Port e veja se a IDE assinalou uma porta para eu Pro-Mini. Deve ser COM seguido do número da porta. Caso não apareça nenhuma COM experimente desplugar e plugar novamente a interface Serial/USB. Isso normalmente resolve. Se apareceu uma COM, clique nela. No canto inferior direito da janela da IDE você precisa conferir se é o Pro Mini que entrou e se a COM assinalada é a mesma que você clicou e que se vê em Tools > Port.
  5. Lembro que na primeira vez que fiz isso no meu lap-top precisei mexer em alguma coisa na configuração do Windows para que ele pudesse ler a interface. Mas isso deve ser dependente do seu sistema operacional, do seu computador, da interface particular… enfim, coisas de computador. No arquivo apenasimagens_solar_UV_exposure_meter_pt.zip eu indico alguns tutoriais onde você pode resolver esse tipo de problema caso ele aconteça.
  6. Feitas as conexões física e lógica basta clicar no botão que é a seta indicada no screen shot acima pela seta vermelha. O processo de download irá iniciar.
  7. Mas antes de clicar, uma observação importante. Este sketch chama algumas bibliotecas, com instruções extras, que guardam funções usadas por ele. São duas, no caso:
    1 – A biblioteca (library) que comanda o display e é chamada pela linha:
    # include <U8g2lib.h> na linha 5 do sketch
    2 – A biblioteca que comanda o teclado e é chamda pela linha
    #include <Keypad.h> na linha 9 do sketch
    Estas bibliotecas são muito usadas e normalmente já são carregadas na instalação da IDE do Arduino. Porém, se você der ordem de descarregar (no Arduino isso chama-se upload, acho estranho pois me parece mais um baixar do que um subir) e estas bibliotecas não estiverem presentes na IDE você terá uma mensagem de erro. Neste caso você precisa incluí-las manualmente. Vá no menu Sketch > Include Library > Manage Libraries e siga as instruções. Não há mal, não causa nenhum dano, você testar o upload sem saber se as bibliotecas estão lá ou não. Apenas dará uma mensagem de erro. Talvez, no momento em que você esteja lendo estas linhas, já exista uma nova IDE que, no caso de não achar, procure automaticamente a biblioteca online e a instale para você.
  8. Esta operação pode ser feita com o Pro-Mini dentro ou fora da placa principal da caixa de controle (na foto acima ele está fora, por exemplo). Mas caso esteja na caixa, não ligue a bateria de 9V pois o conversor já alimenta o Pro-Mini.
  9. Quando você clicar em Upload (seta indicada logo acima), na tela da IDE, o código será primeiramente compilado. O amigável texto do Sketch será convertido em hermética linguagem de máquina e haverá uma verificação de erros mais grosseiros como os de sintaxe, se as funções e bibliotecas chamadas estão disponíveis e coisas assim. Demora um pouco mas deve dar tudo certo.
  10. Quando o Pro-Mini foi ligado na interface Serial/USB e esta no computador, ao ser energizado, ele já começou a rodar um programa chamado blink.ino que faz um led associado ao pino 13 acender e apagar a cada segundo. O microprocessador estará ocupado fazendo isso e não sabe que você está tentando carregar um outro sketch muito mais interessante. Então, no momento em que o sketch estiver pronto para descarregar da sua IDE, é preciso apertar o RESET no Pro-Mini, pode ser o RESET na caixa de controle, caso ele esteja lá, para que ele pare com o Blink e comece a carregar o apenasimagens_solar_UV_exposure_meter.ino.
    O momento exato de apertar o RESET é um pouco maroto para principiantes. Fique de olho na tela do computador e dedo no RESET enquanto a IDE faz a compilação e verificação. Ela vai escrever algumas linhas na tela e a um dado momento irá escrever:
    Using Port:
    Using Programmer:
    Overriding Baud Rate:Este “Overriding Baud Rate” eu acho que pode não vir pois talvez a IDE resolva não sobrescrever o seu Baud Rate. Nessa hora você aperta o RESET. Se foi o bom momento você verá uma barra de progresso feita de ##### indicando que o programa está sendo enviado para o Pro-Mini. É muito rápido. Terminará com um Thank you.Se deu errado você verá:
    A IDE irá tentar 10 vezes fazer o upload. Teoricamente ainda é possível ter a sorte de apertar o RESET no bom momento, durante essas 10 tentativas, mas eu quase nunca consegui acertar esse bom momento e então adotei como procedimento esperar as 10 tentativas falharem e recomeçar clicando upload na IDE.
  11. Um primeiro teste que você precisa fazer é ver se os números que você digita aparecem corretamente na tela. Caso isso não aconteça você irá precisar alterar duas linhas do sketch. Mais abaixo é mostrado onde isso deve ser feito.
  12. Dando tudo certo, nessa hora você remove a interface Serial/USB e, se já não estiver, plugue o Pro-Mini na placa principal na caixa de controle. Agora você já pode começar a monitorar suas exposições com seu Exposímetro Solar UV.

Configurando o teclado (se necessário)

Creio que os teclados de membrana 4×3 são todos iguais e devem funcionar corretamente se você ligar tudo como foi mostrado acima. Porém, por uma questão de segurança, aqui vão instruções de como proceder se por qualquer motivo você precisar reconfigurar. Caso você tenha problemas com números no display que não correspondam ao que você está digitando siga as instruções abaixo.

Ao abrir o sketch na IDE você encontrará na linha 15 o seguinte bloco:

// *** the following line relates and configures the keypad with the pins 3 to 9 in the Arduino Pro-Mini
// in case you see different figures than the ones you type in the key pad, it is the order of these
// figures that must be changed to fit in your keypad
byte rowPins[ROWS] = {9,8,7,6}; byte colPins[COLS] = {5,4,3};

As chaves na última linha indicam que as fileiras do teclado correspondem aos pinos 9,8,7,6 do Pro-Mini e as colunas aos 5,4,3. Estes serão sempre os números se você ligou corretamente, mas talvez em uma outra ordem. Experimente inverter um ou os dois blocos. Veja se veio alguma documentação junto com seu keypad. Experimente outras combinações e cedo ou tarde encontrará a que funciona.

Finais

Eu estou publicando este tutorial mais de um ano depois de ter montado o meu Exposímetro Solar UV que se vê nas fotos deste post. De lá para cá tenho utilizado regularmente e minha experiência é que os resultados são muito consistentes. Conforme o processo e conforme a faixa de densidades do negativo já tenho anotados alguns valores para exposição e processamento que consigo repetir entre negativos semelhantes. Esse era o objetivo. Posso também fazer uma tirinha de testes pela manhã e imprimir apenas à tarde com a confiança de que irá dar certo. Já tive várias mesas de luz UV mas parece que nenhuma tem a riqueza de comprimentos de onda que tem a luz do sol. As maiores densidades e as mais ricas faixas tonais dependem da fonte de luz estar bem em sintonia com o material sensível utilizado. Nesse ponto não vi nada até agora que seja melhor que a luz do sol.

Caso você encontre alguma coisa obscura no tutorial, algo difícil de entender ou algo errado, por favor me escreva e verei o que posso fazer para corrigir ou melhorar. Eu só não vou responder a perguntas do tipo “onde foi que eu errei?” pois isso implicaria em analisar a execução do seu projeto em particular. Também não tenho interesse em fabricar para vender estes aparelhos e até encorajo que quiser fazê-lo que o faça. Tenho visto um interesse crescente por esses processos históricos, utilizando UV, e creio que uma escola de fotografia, ou alguém atuando na área, com disposição para a coisa, poderia muito bem oferecer aparelhos prontos ou kits para montagem. Minha colaboração vem só até aqui e consiste apenas em disponibilizar o conhecimento para quem quiser aprender, usar e aperfeiçoar.

 

Impressão com luz UV: Goma Bicromatada a partir de placa seca
camada única (13 x 18 cm)

 

Impressão com luz UV: Van Dyke Brown de negativo Fomapan 100 (13 x 18 cm)

Impressão com luz UV: Van Dyke Brown de negativo Fomapan 100 (13 x 18 cm)

 

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