Tribune | Thornton Pickard

O que mais impressiona na Thornton Pickard Tribune é como ela é esbelta. Uma combinação bem desenhada de ripas finas de mogno com reforços estruturais em latão, dá robustez enquanto mantém a leveza e tamanho reduzido do equipamento.

Apenas isso já seria um grande feito mas ela ainda oferece uma larga flexibilidade para subir ou descer a lente. Isso é muito útil em fotos que incluem arquitetura pois é a maneira mais simples de se evitar que as linhas verticais, que são paralelas na cena, fiquem convergentes em algum ponto no céu na imagem fotográfica.

O outro movimento interessante é a possibilidade de se inclinar, nos dois sentidos, o back da câmera. Isso oferece a possibilidade de se inclinar o plano do foco. Pode-se focar um objeto mais próximo e outro mais distante simultaneamente. Caso clássico seria focar com precisão as mãos e o rosto em um retrato de meio corpo com o modelo sentado. Esta funcionalidade permite usar a lente mais aberta e aliviar a necessidade de profundidade de campo.
Estes dois movimentos dão conta dos casos mais frequentes, no grande formato, em que se quer movimentar o eixo da lente em relação ao filme. O que ela não oferece é a possibilidade de se girar filme ou lente sobre um eixo vertical.

Quanto ao back da câmera, ele pode ser girado para enquadramento em formatos retrato ou paisagem. É possível aproxima-lo do lens board e assim assegurar o uso de lentes muito curtas. Com o back todo recuado o avanço do lens board com o dispositivo de cremalheira permite também o uso de lentes muito longas. Acima está uma lente de projeção, tipo Petzval, da Pathé.
Um ponto específico deste exemplar é que originalmente esta câmera era para formato 4 ¼ x 3¼”. Mas ela não tinha nenhum plate ou film holder (chassis). Por essa razão ela foi modificada com a construção de um back para o film holder padrão 4×5″. O novo back foi inspirado no desenho das Linhof e neste link há um tutorial com todos os detalhes de como ele foi feito.

Acima, uma propaganda da Tribune na qual ela é apresentada como “muito adequada para jovens e principiantes”. Há uma progressão entre variações sobre o mesmo corpo que vai incluindo possibilidades de movimentos, obturadores e finalmente uma lente Rapid Rectilinear.
Com uma Collinear 90 mm

Acima, equipada com uma Voigtlander Collinear 90 mm. Neste caso, além de avançar o back para frente por todo o trilho, ainda foi necessário se fazer um recesso no lens board para focalização.
Com esta Collinear foi feita a foto abaixo, com a câmera apoiada diretamente no chão e usando a possibilidade de subir o lens board.

Abaixo, o resultado.

Com uma Dagor 120 mm

Aqui ela estava fotografando uma antiga fazenda de café na cidade de Amparo no interior do estado de São Paulo.

Além de subir bastante o lens board foi dada uma inclinação no back para focalizar o chão no primeiro plano. A lente foi uma Dagor 120 mm f/6,3 sobre a qual ainda foi um filtro amarelo degradée Omag. Na foto assim produzida, pode-se notar que a subida da lente já provocou um efeito de uma vinheta nos cantos no céu, ma manteve a verticalidade da arquitetura e da palmeira à sua esquerda.

