Yashica D | Yashica

Embora nomes como Nikon, Canon, Pentax e Olympus sejam os mais lembrados quando o assunto é a indústria fotográfica japonesa, a Yashica foi um fenômeno à parte. Em aproximadamente uma década, a partir de 1946, quando foi fundada por dois irmãos, a Yashica tornou-se a maior fabricante em unidades, em valores e em exportações, mesmo se comparada com suas poderosas conterrâneas.
O problema é que a empresa foi brilhante e avançada, mas o conceito de seu carro chefe, a linha das Twin Lens Reflex câmeras, as TLR, era antiquado e perderia tração a partir dos anos 1960.
120 x 135
Hoje, quanto maior o formato do quadro, mais próxima estará a câmera do uso profissional ou amador avançado. Mas não foi sempre assim. Até os anos 50 ou 60 o médio formato em câmeras que faziam 6×6 até 6×9 cm eram uma escolha natural entre os amadores ocasionais. Leica, Contax, Exakta ou Retina, entre outras câmeras utilizando filmes 35mm em geral, eram opções para um público mais sofisticado e isso por uma razão muito simples: a necessidade de ampliação.

O formato maior, em 6×6 barateava o processo como um todo em dois pontos:
1- Cópias por Contato – Qualquer um que folhear um álbum de família feito até os anos 1950 ou 1960 irá provavelmente encontrar muitas fotos no tamanho 6×6, impressas com margem e cortadas com um serrilhado bem típico. Essas fotos eram impressas por contato com o negativo e isto trazia um custo menor tanto pelo tamanho do papel como pelo serviço em si que não precisava de um ampliador.
2- Ópticas mais simples – Quando a cópia é por contato, a exigência de um círculo de confusão pequeno torna-se muito mais branda pois sua “confusão” não será ampliada. Por esse motivo muitas box câmeras em formato 6×9 cm, como a Kodak Brownie nº2, utilizavam apenas um menisco como lente. Outras como a Zeiss Box Tengor, também 6×9 cm, vinha munida com um dubleto acromático, sendo também o caso de algumas falsas TLR como a Kodak Dualflex.
Estas considerações faziam com que, ironicamente, o médio formato acabava sendo mais interessante para o fotógrafo amador pois com ópticas mais básicas o custo da câmera podia chegar a valores bem mais baixos e ele economizava também na tiragem das fotos finais.
Folding x TLR
O mesmo raciocínio se aplica às folding cameras ou câmeras de dobradura. Centenas ou talvez milhares de modelos como a Nettar abaixo, foram produzidas para filmes 120 e produziam negativos 6×6 cm e também o 6×9 cm e eram tipicamente câmeras para amadores que já estavam felizes com cópias por contato.


A vantagem da folding era o tamanho reduzido quando fechada. Tinham ópticas melhores que as box camera, mas pelo tipo de construção o foco era normalmente feito girando-se e movendo-se apenas o elemento frontal em vez do bloco óptico inteiro. Isso sacrificava um pouco a qualidade em fotos nas aberturas maiores.
O espaço das TLR
Nesse cenário as TLR, sobressaíam como uma alternativa de médio formato com qualidade superior e com isso tornavam-se uma alternativa ao fotógrafo mais exigente e também aos profissionais. Em especial a Rolleiflex, por sua construção extremamente precisa e confiável, com a reputação da indústria alemã, era uma opção muito atraente para quem podia se resolver com uma objetiva fixa e ganhava com isso a qualidade de uma médio formato.

A forma de se fotografar com uma TLR já direciona bastante o olhar do fotógrafo. Raramente, por exemplo, ele se sentirá à vontade para inclinar um pouco o quadro. Tenderá mais a manter a câmera em nível. Suas composições tenderão a ser centralizadas, tanto pelo formato quadrado como pelo fato da imagem aparecer para ele invertida lateralmente.
A Yashica D
A série das Yashicas TLR, embora não tenha o prestígio da Rolleiflex, é também muito bem construída e confiável. Foi sem dúvida posicionada para oferecer uma alternativa mais econômica mas nem por isso de má qualidade.
A primeira TLR chamava-se Pigeonflex e foi lançada em 1953. A Yashica D só veio em 1958 e ficou em produção até 1972. Era oferecida com ópticas Yashikor, uma lente de 3 elementos separados, baseada na Cooke Triplet, ou um Yashinon, baseada na Tessar de 4 elementos em 3 grupos. Obturadores Copal MVX com self timer e tempos B, 1 a 1/500s.

Ela é realmente muito inspirada na Rolleiflex e também tem os controles de velocidade a abertura acionados por dois discos na frente da câmera. Mas os valores selecionados ficam visíveis em uma pequena janela no topo e é tudo muito conveniente.

O foco é feito em um botão grande no lado direito da câmera e mostra a escala de profundidade de campo. Do mesmo lado está o avanço do filme que é automático com trava desde a primeira foto.

Na esquerda há apenas uma sapata fria de flash, local não muito conveniente, mas digamos que foi o que sobrou.
Para informações técnicas muito detalhadas sobre as TLR da Yashica e a história da empresa, visite o site Yashica TLR
Em uso
É uma câmera que tem lá suas idiossincrasias. Não é fácil de se acostumar com uma TLR. Mas com a prática o fotógrafo começa a sentir-se à vontade e tudo fica intuitivo. As Yashicas, assim como as Rolleiflex, foram muito utilizadas por fotógrafos de eventos sociais como festas e principalmente casamentos. Com um flash potente e tocha erguida com o braço ao alto, focavam por estimativa e confiavam na profundidade de campo.
Abaixo algumas fotos que fiz com esta Yashica D que tem uma Yashikor. Como a Yashinon, é baseada na Tessar e essa é uma construção muito comum, achei interessante poder usar uma Yashikor, baseada na Cooke Triplet para experimentar. Com todo este sol eu fui forçado a usar diafragmas fechados, que é uma condição ideal para qualquer lente se o intento for nitidez. Mas, de qualquer forma, o resultado me surpreendeu bastante achei que no geral a lente teve uma performance muito boa.
Veja a Yashica D na linha do tempo da fotografia e veja o que mais havia na época.




