Baby Box Tengor | Zeiss Ikon

Baby Box Tengor 544/18A

Esta câmera foi produzida de 1931 até 1938. Utiliza filmes 127 e é muito simpática como a maioria das câmeras que usam esse formato. No caso, faz quadros de 3×4 cm e dessa forma rende 16 fotos por rolo. Como já indica o prenome Baby, ela é uma redução de uma Box Tengor, também tipo caixa, que utilizava filmes 120 e quadros 6x9cm.

Sua lente é um simples dubleto acromático de nome Frontar, f/11 – 50 mm, produzido pela Goerz, uma das grandes empresas a entrar na fusão que originou a gigante Zeiss Ikon. Mas é interessante como ele é montado com a face convexa voltada para fora e com diafragma no interior da câmera. Normalmente os dubletos acromáticos, desde início da fotografia, apresentavam a configuração inversa, como nas lentes para daguerreotipos ou placa úmida para paisagens. Veja, por exemplo, a Hermagis ou Lerebours et Secretan.

Foram produzidas 3 versões, este é um exemplar da segunda e ganhou em relação à sua antecessora este painel metálico frontal com o logo da Zeiss Ikon e Baby Box gravados. A terceira geração vinha com uma lente Novar f/6,3, mais sofisticada, uma anastigmática com 3 elementos.

Embora seja uma câmera simples, para tempos de crise, sua construção é muito sólida e de bom acabamento. Possui apenas uma velocidade 1/25s mas pode ser disparada na alavanca ou por cabo, na lateral direita, à frente. Ela tem uma proteção contra disparos acidentais pois é preciso puxar o visor para a posição ou o obturador não funciona.

Para o uso, em dias bem iluminados, ela é uma câmera divertida. Existem algumas marcas ainda fabricando o formato 127, mas ele pode também ser rebobinado a partir do 120. Fiz uma página e um vídeo mostrando o processo que desenvolvi e utilizo para esse fim. Dá um pouco de trabalho na primeira vez mas além de custar menos da metade do preço, por filme, acho que a grande vantagem é se poder usar emulsões mais interessantes do que as oferecidas no formato original. Então o que vale a pena é comprar dois rolos de 127, para se ter as bobinas e o papel, e depois começar a cortar e enrolar a partir do 120.

Um ponto a se considerar é que o carretel para revelação, pelo menos os metálicos, tem um tamanho intermediário entre o 35mm e o 120. São difíceis de achar. Creio que alguns tanques de plástico apresentam uma regulagem para a altura certa. Mas isso é algo que precisa entrar no planejamento. 

Para mais detalhes sobre as versões e especificações existe uma página em espanhol que é muito completa sobre a série toda das Box Tengor. Visite: Camaras sin fronteras.

Aqui vão algumas fotos que fiz com ela. Todas são scans a partir de ampliações em papel fotográfico.

Esta foto dá uma ideia do que a Baby Box Tengor pode render nas condições ideais. Considero-a bem satisfatória para fotos de lugares e grupos. Aqui eu estava com filme HP5, ISO 400, um dia nublado, mas claro, e o assunto, uma rua no centro de São Paulo, tinha tudo a uma generosa distância da câmera.

O caso acima seria típico para se fazer com uma Dagor ou Super Angulon, em grande formato, e depois ficar admirando cada folhinha, cada mínimo detalhe dessa cena exuberante. Porém, com a Baby Box, eu levei em conta que a lente jamais daria uma imagem super nítida e resolvi abusar ainda mais dessa “deficiência” com um papel bem rústico, o Fomapan MG Classic, e trabalhar mais com a escala tonal para render a atmosfera na imagem. Apoiei a câmera no parapeito de uma pequena ponte e dei um B em algo como meio segundo. A foto seguinte foi na sequência porém com a câmera na mão e exposição padrão de 1/25s pois a cena estava bem mais luminosa. A Baby Box Tengor tem rosca para tripé mas eu estava sem nesse dia.

Fiz fotos no mesmo local com uma Olympus OM1n, muito mais cortante apesar de 35 mm, e no final eu gostei mais dessa versão romântica da Baby Box Tengor.

Outra possibilidade é brincar com os borrões devido ao movimento. Já que com f/11 o 1/25s ficará inviável, vamos de B. Nessas fotos de metro eu apoiava a câmera no corrimão e usava o obturador no B por volta de 1/4 ou 1/2 s.

O filme das próximas imagens foi um Efke 100 que estava reagindo com o papel e por isso dava essa textura e às vezes até decalcava os números e outras marcas na foto. Acho que essa é uma câmera interessante para andar na rua e registrar alguns lugares que você conhece bem, que significam alguma coisa para você, e representá-lo através de metonímias. 

Abaixo, uma do tempo em que não havia celular e a cidade era cheia desses telefones públicos, os “orelhões”. Ainda existem alguns por aí. Hoje fico contente de ter feito essa e algumas outras lembrancinhas desses ícones.

Para terminar, acho a Baby Box Tengor, interessante para se fazer fotos sem enquadrar, sem olhar pelo visor. Nessa abaixo eu vinha andando com ela na mão, balançando os braços, e cliquei mirando os dois policiais. Quando vem algo aproveitável, é sempre uma boa surpresa. A indefinição apenas acrescenta ao clima de “foto indiscreta” ou”foto roubada”.

Abaixo uma publicidade de época.

Do site de Sylvain Halgand

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