Kodak No. 1 | The Eastman Dry Plate and Film Company

Poucas câmeras podem ser consideradas marcos que significaram uma mudança profunda na história da fotografia. A Kodak No. 1 é certamente uma delas. Foi para ela que George Eastman criou o nome Kodak, foi para ela que ele criou o slogan “Você aperta o botão, nós fazemos o resto”, foi ela a primeira câmera de sucesso comercial a adotar uma mídia flexível acondicionada em rolos em vez de chapas e foi com ela que fotografia deixou de ser um assunto de iniciados para entrar no dia a dia de quem sequer interessava-se pelo fazer fotográfico.

Vidro ou papel, chapa, folha ou rolo.

A fotografia começou em metal, na placa de cobre prateada dos daguerreótipos. Mas quase simultaneamente surgiu o processo negativo/positivo em papel e em seguida a placa úmida sobre vidro.

Exemplo de daguerreótipo e sua aparência de espelho

O papel era prático por ser leve e não quebrar, mas suas fibras não permitiam reter os finíssimos detalhes que apresentava o daguerreótipo. Mesmo este último foi logo abandonado e substituído pelas placas úmidas de colódio em vidro. Os negativos em placa úmida eram geralmente impressos em papel albuminado e também produziam fotografias com uma definição que impressiona até hoje.

Exemplo de processo negativo/positivo em papel
Hill e Adamson (1843/47)

Por cerca de 30 anos o colódio imperou como meio de produção de negativos e até positivos diretos, que era o caso dos ambrótipos e ferrótipos. Mas o vidro precisava receber a emulsão momentos antes de expor a foto, daí seu nome placa úmida. Isso só mudou quando nos anos 1880 as placas secas fizeram uma nova revolução.

Exemplo de negativo em colódio e impressão em albumina
fotógrafo: André Adolphe-Eugène Disdéri.

As placas secas, à base de gelatina, podiam ser guardadas para uso até meses depois de produzidas. O processo de fabricação permitia um controle mais efetivo. Então pela primeira vez foi possível a industrialização da mídia fotográfica para negativos e logo surgiram marcas vendidas nas casas especializadas.

Exemplos de placas secas fabricadas industrialmente

Em 1878 George Eastman tinha 24 anos e trabalhava em um banco. Foi quando interessou-se por fotografia. Comprou um kit para placas úmidas e também experimentou as placas secas com gelatina. Fascinado pelo processo começou a fabricar sua própria emulsão. Durante o dia trabalhava no banco e de noite, na cozinha de sua mãe, foi experimentando fórmulas e maneiras para cobrir as placas. Depois de 3 anos nesse esquema caseiro, associou-se com Henri Strong para dar um passo mais largo e alugou um espaço na sua cidade de Rochester. Foi lá sua primeira fábrica. Em 1883 já ocupavam um prédio de quatro andares.

As vendas iam bem e permitiram-lhe investir parte de seu tempo e recursos em inovação. Direcionou sua pesquisa a encontrar alternativas à placa de vidro. Nessa época pensava ainda no mercado profissional. Junto com William Walker, patenteou e lançou um acessório interessante usando o papel como suporte para o negativo.

Catálogo de 1888 – fonte: Pacific Rim

Tratava-se de um adaptador, Eastman-Walker Roll-Holder, para quem tinha câmeras, de estúdio ou campo, como na imagem acima, que utilizavam chassis para placas de vidro. Seu acessório parecia um caixa que ajustava-se perfeitamente ao engate do chassis tradicional e deixava a câmera equipada com um rolo para negativos em papel capaz de fazer até 24 fotos sem reabastecer.

Ilustrações mostrando como usar o chassis para papel em rolo

Embora muito louvada a iniciativa, o aparelho não fez sucesso comercial ainda por conta da base ser papel. Era parte do processo se aplicar óleo de castor para melhorar a transparência (mostrado na fig 10. na ilustração acima) mas mesmo assim, lado a lado, as impressões feitas a partir das placas de vidro eram muito superiores em clareza e detalhes.

No entanto, quase que um golpe de sorte, chamou a atenção para uma vantagem onde o sistema do suporte em rolo mostrou-se imbatível. Foi em Paris, em 1886, onde o fotógrafo Nadar realizou uma entrevista com Michel Chevreul. O evento foi transformado em uma reportagem fotográfica. Paul Nadar, filho do célebre fotógrafo, era representante da Eastman na França e utilizou um desses backs com rolo para realizar mais de cem fotos com o filme em papel enquanto seu pai entrevistava o ilustre cientista.

O que todos fotógrafos perceberam com certeza, é que apenas girar um botão para avançar para a próxima foto era muito mais prático do que trocar um chassis. A quantidade de tomadas foi considerável e permitiram a Paul Nadar capturar instantâneos que realmente contaram a história da entrevista.

“Veja bem isso: eu vou girar esse disco vermelho e branco e você terá a sensação de um verde uniforme”
Esta é uma das fotos da entrevista. Chevreuil era

Porém, nota-se na foto acima que os detalhes mais finos perdiam-se, pois as fibras do papel funcionavam como uma tela de difusão e apenas a adoção do novo suporte em rolo não foi suficiente para tornar o lançamento rentável.

O American Film

Em 1884 George Eastman encontrou um meio de unir o suporte flexível e leve do papel a uma transparência capaz de rivalizar com o vidro. Chamou o novo produto de American Stripping Film. A ideia era engenhosa porém complicada.

Sobre o papel era aplicada uma camada de gelatina solúvel em água. Sobre esta gelatina era aplicada uma camada de colódio e a seguir mais uma de gelatina, mas desta vez preparada como emulsão fotográfica. Com isto eram feitas bobinas e também folhas.

O problema era o posterior processamento deste filme. Era executado nos seguintes passos:

  1. Depois de exposto o rolo passava pelo processamento normal de revelação com os banhos revelador, interruptor, fixador e lavagem. Isto era feito com água fria para que a gelatina de base não dissolvesse.
  2. A seguir, o filme era aplicado sobre um vidro com emulsão para baixo. Sobre o papel aplicava-se água morna ou vapor, assim a gelatina solúvel era levada a amolecer e o papel era cuidadosamente removido deixando uma fina camada apenas com a emulsão exposta e revelada sobre o vidro
  3. Uma nova camada mais espessa de gelatina com endurecedor era espalhada para formar uma película mais encorpada
  4. Ao ser removida do vidro e seca esta película translúcida com a imagem em negativo estava pronta para impressão por contato ou ampliação.

As ideias essenciais do processo:
1) um suporte flexível montado em rolo
2) usar a gelatina ou colódio como base da emulsão
Não eram novas. Parece que tudo foi experimentado naquela época e fica muito difícil se falar em quem foi o primeiro. Mas a confiabilidade e consequente possibilidade prática de uso deixava a desejar na maioria dos outros inventores e fabricantes. O mérito da The Eastman Dry Plate and Film Co. foi mais o de ter chegado a soluções viáveis comercialmente, mas não em pioneirismo propriamente dito.

fonte: livro The Story of Kodak, Douglas Collins

A foto acima é um auto-retrato de George Eastman quando desenvolvia seu American Film. É possível se ver claramente diferentes texturas nos diferentes tecidos e também o modelado nas sombras, algo que seria muito difícil em um negativo de papel. A nota feita à mão diz: “Feito sobre papel com um substrato solúvel e revelado depois de transferido”. No processo final a revelação passaria a ser feita antes da transferência como foi dito acima. Outra coisa a se notar são as falhas nas bordas da fotografia. Era muito delicada a operação de remover o papel pois a camada de gelatina era muito fina. Nos cantos superiores pode-se claramente notar que a gelatina está presente mas não assentou bem sobre a nova base. Isso mostrou-se uma barreira instransponível para a maioria dos fotógrafos.

Em 1886 o portfolio da empresa compreendia as placas secas em vidro, folhas e rolos de papel para negativos pelo processo tradicional, o recentemente desenvolvido American Stripping Film, os backs para se adaptar rolos em câmeras de outros fabricantes, papéis para positivos e ainda oferecia serviços de impressão fotográfica com ampliações enormes chegando até a 54 x 90 polegadas (137 x 228 cm).

Apesar dos lançamentos que não tiveram sequência, que foram fracassos comerciais, a empresa como um todo ia bem e crescia com os produtos mais tradicionais de sua linha.

Câmeras

Foi nessa época que a Eastman Dry Plate and Film Co. começou a arriscar-se também no mercado de câmeras e produziu algumas view cameras de grande formato que utilizavam placas secas ou o back para filme em rolo. Mas o que George Eastman tinha em mente seria algo mais portátil e mais simples de se operar. Sua atenção voltou-se para o crescente mercado de Detective Cameras.

Estas eram câmeras não necessariamente utilizadas por detetives. Elas basicamente dispensavam o tripé e também o vidro despolido. Tornaram-se possíveis por conta de novas lentes mais luminosas e com um bom ângulo de visão, por volta de 50 a 60º. Outro fator crucial foi o rápido desenvolvimento das placas secas. Para enquadramento utilizavam um visor e para o foco uma escala de distâncias que precisavam ser estimadas e ajustadas pelo fotógrafo. Com toda essa portabilidade, impossível dez anos atrás, elas permitiam fotos indiscretas, disfarçadas e daí a associação, algo fantasiosa, ao trabalho de detetives.

Exemplo de Detective Camera – do catálogo da Anthony de 1891.

George Eastman percebeu que estas câmeras traziam muito mais praticidade que as tradicionais view cameras, com vidro despolido, fole e tripé, e desenhou, em parceria com Franklin Cossit, uma câmera detetive (patente US353545A) da qual fabricaram apenas algo com 50 exemplares e logo desistiram do projeto.

A câmera Eastman/Cossit utilizava uma lente tipo Rapid Rectilinear focalizável através de uma escala de distâncias. Tinha um obturador que permitia variar a velocidade com um mecanismo algo complexo, semelhante a um obturador de plano focal, permitia o uso de placas secas mas vinha também equipada com um adaptador para o American Film. Como somatória disso tudo o custo de manufatura era proibitivo e o que a câmera oferecia era semelhante a dezenas de outras no mercado.

A questão, para todos fabricantes entrando no mercado de câmeras instantâneas, é que quanto mais recursos se colocava, quanto mais se tentasse oferecer qualidade de imagem, mais se complicava a operação e mais a câmera aproximava-se das dificuldades semelhante a daquelas que ela pretendia substituir sem ter o controle absoluto que o vidro despolido nativamente oferecia. Apenas a fotografia na mão restava como fator distintivo. Mas depois de décadas com tripé e pano preto, o ato fotográfico sem eles ainda parecia algo estranho e sem muito propósito.

Catálogo da Anthony de 1891.

Algumas detective camera eram bem simples e praticamente sem regulagem alguma, como esta Simplex acima já deixa claro no nome. Mas ainda nessa categoria George Eastman logo entendeu que não haveria uma diferenciação capaz de lhe dar uma dianteira significativa sobre a concorrência.

Amadores ou flertadores

No século XIX o termo amador estava mais próximo do que hoje seria um expert. Seria alguém que realmente estudava e dedicava-se a uma atividade qualquer ainda que fosse só como um hobby. A origem etimológica é “aquele que ama”, tanto em português como em inglês ou francês, amateur. Para esses o mercado de fotografia oferecia um mundo de opções em câmeras, lentes, acessórios, materiais de laboratório, processos os mais variados e o amador ainda adicionava a tudo isso o seu toque pessoal pois era muito comum que desenvolvessem seus próprios reveladores, aditivos e acessórios.

Para quem, em vez de “amar” profundamente, queria apelas “flertar” com a fotografia e fazer seus instantâneos em família, sem muito engajamento, sem muitas exigências técnicas ou estéticas, existiam as câmeras como a Simplex. Mas George Eastman, ele próprio um amador muito dedicado, que começou sua carreira de empresário do setor voltado para o único mercado que realmente existia, que seria o profissional ou de amadores sérios como ele, no final dos anos 1880 percebeu que existiam também muitos, muitos potenciais “flertadores” e para eles não era bem a câmera que era a barreira de entrada na fotografia.

Entre fazer o clique e ter a fotografia pronta nas mãos, tudo o que precisava acontecer no meio era completamente desinteressante para uma legião de pessoas que, apesar disso, gostariam bem de brincar de fotógrafo de vez em quando. Até mais que apenas “desinteressante” era aborrecido, caro, difícil e portanto mais provavelmente uma fonte de frustrações.

George Eastman deve ter também olhado para seu American Stripping Film, que tinha a praticidade de ser vendido em bobinas e ainda produzia imagens de muito boa qualidade, comparáveis aos negativos em vidro, mas cujo processo era trabalhoso, delicado e propenso a falhas até com fotógrafos profissionais. Com certeza ele sabia que não adiantaria colocá-lo em uma “Simplex” qualquer tentando atrair os flertadores, pois estes se recusavam a entrar no laboratório até para o processo tradicional que era bem mais simples. Para os profissionais e amadores avançados, já experimentara colocar o American Film na sua sofisticada Detective Camera e não deu certo. Para quem não tinha rejeição à regulagem de foco, fotometria e nem a laboratório, a imensa maioria deles estaria melhor servida com os equipamentos tradicionais carregados com placas secas.

Foi então que veio a grande ideia, a ideia do século: apostar no mercado dos flertadores, o amador no sentido que entendemos hoje, mas com duas condições: sem lhes aborrecer com câmeras sofisticadas e livrando-os completamente do laboratório fotográfico caseiro. Ao lançar a Kodak No. 1 a George Eastman Dry Plate and Film Co. passou a oferecer todo o serviço de foto-acabamento. Os negativos eram revelados e impressos na fábrica em Rochester.

O nome Kodak

Havia um certo consenso de que o nome de uma câmera fotográfica deveria estar ligado a algo de positivo, de superior, de distintivo, ou então ser bem descritivo e didático. A câmera era, antes de mais nada, um instrumento de precisão para uso de profissionais e amadores muito dedicados. Nos anos 1880 os principais fabricantes nos Estados Unidos ou Reino Unido, dentro destas premissas, comercializavam câmeras com nomes tais como: The Ruby, The Universal, The Champion, The Perfection e ainda. Multiplex, Stereoscopic, Panoramic, Detective, Simplex.

Neste cenário, é interessante ver como George Eastman não se preocupava muito em seguir com as regras do mercado e pensava mais na relação direta de seu público com sua oferta. Ousou criar um nome absolutamente sem significado. Em setembro de 1888, quando solicitou o registro formal de sua marca, foi indagado sobre qual seria sua origem ou significado.

“Kodak” This is not a foreign name or word; it was constructed by me to serve a definite purpose. It has the following merits as a trade-mark word:
First: It is short.
Second: It is not capable of mispronuciation.
Third: It does not resemble anything in the art and cannot be associated with anything in the art except the Kodak.

“Este não é um nome ou uma palavra estrangeira; foi criado por mim para servir a um propósito específico. Possui os seguintes méritos como marca registrada:
Primeiro: é curto.
Segundo: não dá margem a erros de pronúncia.
Terceiro: não se assemelha a nada no setor e não pode ser associado a nada no setor, exceto à Kodak.”

Kodak era portanto uma palavra vazia porém simples e que poderia se encaixar em qualquer idioma. Uma palavra sem histórico na fotografia e assim pronta para abrir um capítulo inteiramente novo na história da fotografia. Não era a marca que emprestaria algum sentido à câmera. A câmera e todo o sistema à ua volta é que dariam sentido à palavra Kodak.

De fato, em pouquíssimo tempo, o termo inicialmente insípido carregou-se de tal modo de significados que tornou-se o portador da filosofia da empresa em territórios como, universalidade, confiança, facilidade de uso, qualidade, família, férias e outros conceitos e valores que o público espontaneamente passou a associar ao nome Kodak.

Um comentário solto no The British Journal of Photography, dá bem a medida do quanto George Eastman estava certo em sua estratégia de marca:

Will the name “Kodak ” eventually become a generic one for detective cameras? We put the question inasmuch as we have, several times, heard the term applied by the uninitiated to different forms of detective cameras which in no way, either in appearance or principle, have resembled the widely advertised instrument. (The British Journal of Photography – May 31, 1889)

“Será que o nome “Kodak” acabará se tornando um termo genérico para câmeras de detetive? Levantamos essa questão porque já ouvimos, várias vezes, esse termo ser aplicado por leigos a diferentes tipos de câmeras de detetive que, de forma alguma — seja na aparência, seja no princípio de funcionamento —, se assemelham ao instrumento amplamente divulgado. “(The British Journal of Photography — 31 de maio de 1889)

Não alheio a essa enorme conquista que é afinal o sonho de toda marca, George Eastman foi deixando seu próprio nome de lado e Kodak tornou-se a palavra chave do conglomerado que ia se formando.

Resumo da linha do tempo da empresa

1881: Eastman Dry Plate Company (fundada por George Eastman e Henry A. Strong)

1884: Eastman Dry Plate and Film Company (renomeada para refletir a invenção do papel/filme negativo flexível)

1888: A palavra “Kodak” é registrada como marca e lançada como nome de produto para a primeira câmera de filme em rolo

1889: Reorganizada como The Eastman Company

1892: Torna-se oficialmente a The Eastman Kodak Company (a pessoa jurídica utilizada atualmente)

Em 1892, a palavra “sem sentido” que Eastman havia inventado quatro anos antes havia se tornado tão dominante na consciência pública que conquistou seu lugar definitivo na porta de entrada da empresa.

O sistema

A Kodak nº1 custava 25 USD nos Estados Unidos e 5 pounds na Inglaterra. Não era de forma alguma uma câmera barata. Equivaleria a uma mirrorless premium nos dias de hoje. Era vendida já carregada com um rolo de American Stripping Film para fazer 100 fotos. Uma vez terminada a bobina a câmera inteira era enviada para Rochester e lá o processo de revelação e impressão era realizado. A impressão era por contato e a imagem circular com um diâmetro de 64 mm ( 2½ polegadas) .

Foto realizada com a câmera da coleção – 2026

Para devolução a câmera era novamente carregada com mais 100 fotos e enviada para o cliente juntamente com as impressões do filme precedente. Foi um sucesso instantâneo.

Em 1890, apenas dois anos após o lançamento da nº1, o laboratório em Rochester estava imprimindo milhares de fotos por dia. Um cliente nos Estados Unidos recebia suas cópias em 10 dias em média. Já para clientes europeus apenas o correio era de 2 semanas. Para não perder o ímpeto do lançamento e não correr o risco de desanimar os novos clientes foi aberta em 1891 uma sucursal de processamento em Harrow e em seguida vieram outras na Europa continental e até Austrália.

Exemplo de sala de impressão das cópias por contato nos anos 1890
fonte: livro The Story of Kodak – Douglas Collins

A impressão era feita em papel de cloreto de prata, era portanto do tipo POP (printing out paper) que revela-se com a luz do dia e mostra a imagem já na exposição. Para isso as salas de impressão eram montadas com grandes janelas de vidro como na foto acima. Interessante que por ser uma tecnologia nova e o manuseio do American Film muito especializada, a rede de foto acabamento foi totalmente verticalizada com estrutura própria da Kodak tanto nos Estados Unidos como no resto do mundo.

A câmera

A Kodak No. 1 é toda construída em madeira e forrada externamente com Morocco que é um couro de cabra muito fino e na época usado mais em artigos de um certo luxo. É uma caixa com um recesso e tampa na frente para acomodar a lente e obturador. Uma estrutura que contém o dispositivo de transporte do filme desliza para dentro da câmera fechando a sua traseira.


Quando o filme é avançado a chave não trava e o fotógrafo deve observar que um ponteiro no topo da câmera, ao lado da chave, tenha dado uma volta completa para ter certeza que o filme avançou a medida certa.

A operação não poderia ser mais simples e toda comunicação estressava que eram apenas 3 passos:

  1. Setting the shutterArmar o obturador: isto era feito puxando-se uma cordinha
  2. Exposing Expor: Pressionar o botão na lateral da câmera
  3. Winding more filmAvançar mais filme: girando-se a chave no topo da câmera.

É interessante notar que na propaganda acima, publicada na Inglaterra, após os 3 passos iniciais, há também uma explicação sobre como revelar o filme. Aparentemente já se trata de um filme em celuloide e não o American Film. Mas isso não era muito incentivado e não era parte da estratégia da empresa.

O mais frequente era esse padrão acima. Primeiro o famoso “You press the buttom, we do the rest” (você aperta o botão, nós fazemos o resto). Em segundo lugar, a afirmação também muito presente em toda a comunicação é que.

Anybody can take good photographs with the Kodak.

Qualquer um pode tirar boas fotografias com a Kodak.

A câmera era simples às custas de ser também muito desprovida de recursos se comparada ao que viria logo em seguida. Ela não tinha prevenção de dupla exposição, nem de duplo avanço. Não há contador de poses. Oferecia apenas uma velocidade, por volta de 1/25s e uma única abertura por volta de f/9.

Nem mesmo visor ela tem. No topo da câmera há uma marcação em V, parcamente visível no lado esquerdo na foto acima. Essa era a orientação para o fotógrafo dos limites da foto. Ela corresponde a um ângulo de 60º. A melhor estratégia é se buscar composições centralizadas, o que de resto é também incentivado pelo formato circular da imagem.

O obturador

Catálogo de 1888 – fonte: Pacific Rim

No lançamento a Kodak nº1 vinha com um rotary shutter, mas ele tinha um custo elevado de produção e era sujeito a falhas. Pode-se ver na ilustração acima que era como que um cilindro rotativo. Poucas unidades foram produzidas com ele e a empresa fez, logo no primeiro ano, uma substituição silenciosa desta parte importante da câmera. Nem mesmo abriu novos números de série e continuou na sequência.

Desenhos da patente do primeiro obturador

No exemplar da coleção o obturador já é de uma segunda geração. Para fazer uma distinção, a Kodak com o rotary shutter é referida como “original”. No lançamento, como vemos na página do catálogo de 1888 abaixo, ela nem levava o No. 1.

Foi somente em outubro de 1889 quando foi lançada uma nova Kodak, que recebeu o No. 2, em tudo semelhante à original mas produzindo um negativo maior, com 3 1/2″ de diâmetro, é que à primeira adicionou-se o No. 1. Foi ao mesmo tempo que o Sector Shutter foi introduzido.

Desenhos da patente do Sector Shutter

O conceito básico do Sector Shutter é mostrado acima nos desenhos da patente. Este tipo de obturador equipou as câmeras populares da Kodak ainda por todo o século XX. Ele é basicamente uma folha metálica cortada em forma de “setor” de um círculo (como um pedaço de pizza) e com um rasgo que passa em frente à lente permitindo a exposição durante sua passagem. Uma segunda folha protege a lente na volta do setor à sua posição inicial deixando-o pronto para nova exposição. No vídeo abaixo podemos ver como que ele é armado e disparado na Kodak nº1.

Confusão sobre a lente

A lente, fabricada pela Bausch & Lomb, tem distância focal de 57mm e abertura f/9. Sobre o tipo de construção existem divergências e controvérsias desde o lançamento. Uma câmera que se vendia dizendo “Você aperta o botão, nós fazemos o resto”, não seria mesmo do tipo a entrar muito em detalhes sobre sua óptica. A consequência é que não há referência ao tipo de construção da lente da Kodak nº1. O fabricante assumia que isso não era interessante para o público ao qual ele se dirigia.

Este silêncio abriu espaço para especulações de quem provavelmente arriscava um veredito sem nem mesmo ter a câmera em mãos. Artigos nos boletins das sociedades de fotografia e avaliações na imprensa especializada não foram unânimes em torno de um ou outro tipo de construção e isso instaurou a confusão que reina praticamente até hoje.

A polêmica

Mas felizmente houve um caso muito discutido na imprensa e que esclarece enfim o tipo da lente que usava a Kodak no. 1. Vejamos qual foi a disputa. Frederick T. Norris era um fotógrafo amador dedicado, escritor e crítico de tecnologia que morava em Londres. Ele era muito ativo na comunidade fotográfica britânica e era também um purista, um defensor da fotografia tradicional e achava que as novas câmeras de detetive eram a ruína fotografia.

Acontece que esse influente Mr. Norris estava dizendo a todo mundo que a nova Kodak No. 1 usava uma lente que não era mais do que um simples menisco que nem acromatizado era e custava à empresa apenas 6 pence. A câmera era vendida por £5 que correspondem a 1200 pence. Para dar uma ideia, 1 pence era o preço de uma caneca de cerveja. Então a afirmação foi considerada muito ofensiva e ameaçadora para a reputação da câmera e da própria Eastman Dry Plate & Film Co.

Isso deu início a uma sequência de cartas que foram publicadas no The Amateur Photographer, ao longo de 1890. O tom lembra o que temos hoje nas redes sociais. Mas o assunto é bem técnico e podemos aprender muito de óptica fotográfica acompanhando a briga.

Quem se apresentou para defender a Kodak foi William H. Walker. Relembrando, foi ele que desenvolveu e patenteou junto com George Eastman o back para filme em rolo em view cameras. O mesmo sistema que foi depois utilizado na Kodak No. 1. Ele se mudara para a Inglaterra para estabelecer a primeira filial da Eastman Co. em 1887 e era diretor dessa filial londrina.

É muito interessante que Norris tinha toda razão em dizer que a lente não era acromática e é compreensível que para ouvidos menos familiarizados com a questão isso devia soar como se a câmera fosse uma fraude. Desde os anos 1840, portanto 50 anos antes da querela, já se sabia como construir lentes acromáticas para fotografia.

Lentes que apresentam aberração cromática, que não são corrigidas, são problemáticas para focar. O que acontece é que a faixa do espectro onde as emulsões daquela época eram bem sensíveis está mais para a banda do azul/violeta, mas esta é a banda onde nossos olhos enxergam menos, nós somos bons no meio do espectro, em especial no verde. Como a lente com aberração cromática faz um foco (distância da lente ao filme) diferente para cores diferentes, acontece que quando o fotógrafo achava que a imagem no vidro despolido estava bem nítida, ele estava influenciado principalmente pelo verde. Mas o filme/placa, que só via o azul/violeta, registrava uma imagem sem foco pois esses focos não coincidiam como em uma lente corrigida. Isso é o que se chama o problema do foco químico.

Comercializar uma lente não acromática em 1890 parecia um atraso, uma enganação. Mas há uma boa explicação para isso. O que os fotógrafos faziam na época das lentes não corrigidas era focar pelo despolido para o verde, mas depois ajustar manualmente para a posição correta pelo azul usando uma tabelinha ou fórmula para isso. Quando surgiram as lentes corrigidas isso não foi mais necessário. Acontece que a Kodak No. 1 não tinha ajuste de foco. Então ela já era projetada para o foco químico: não era corrigida mas não precisava de ajuste do fotógrafo. Com f/8 ela dava uma profundidade de campo para apresentar um foco razoável, para uma cópia por contato, de 4 pés (1,2m) em diante, segundo o fabricante.

Quanto ao tipo de construção e seu suposto baixo custo, Mr. Norris estava errado. A lente não era um simples menisco. Cito aqui as palavras de William H. Walker dirigindo-se a Norris:

“Para demonstrar o quanto a afirmação atribuída a você é enganosa, afirmamos que todas as lentes fornecidas com as Kodaks No. 1 são, e sempre foram, compostas por duas lentes periscópicas de curvas excepcionalmente profundas, fato que, por si só, aumentaria imensamente seu custo.” (18 de julho de 1890, The Amateur Photographer)

“To show you how very misleading the statement attributed to you is, we will state that all the lenses supplied with the No. 1 Kodaks are, and always have consisted, of two periscopic lenses of unusually deep curves, which latter fact would of itself increase their cost immensely.” (July 18, 1890, The Amateur Photographer)

Uma lente periscópica é formada por dois meniscos simétricos em torno do diafragama, que no caso da Kodak No. 1 é fixo em f/9 como já foi dito. Sobre sua origem, no mesmo The Amateur Photographer de 18 de julho de 1890. John Traill Taylor, o lendário editor do The British Journal of Photography, que publicou livros sobre ópticas fotográficas, explica sua genealogia.

Desenho da lente periscópica

“Com relação à lente da sua No. 1, ou pequena Kodak, você conhece sua história? Se não, vou contá-la para você. Há alguns anos (1865), o Prof. Steinheil, de Munique, a inventou e patenteou. Ela foi fabricada pela Voigtlander e vendida sob o nome de “periscop”, devido à forma periscópica de suas duas lentes. Era retilínea e cobria um campo prodigioso, nítido até as bordas. […] Foi ao examinar uma pequena lente da Kodak No. 1, que em certa época esteve em minha posse, que percebi que se tratava de uma reedição do outrora famoso “periscop” de Steinheil, embora, graças a recentes avanços na fabricação de vidro óptico, ela supere sua antecessora em rapidez de funcionamento, sem perder, pelo que posso perceber, suas outras boas propriedades.”


“With respect to the lens of your No. 1 or small Kodak, do you know its history? If not, I will give it to you. Some years ago (1865) Prof. Steinheil, of Munich, invented and patented it. It was manufactured by Voigtlander, and sold under the name of the periscop, from the periscopic form of its two lenses. It was rectilinear and covered a prodigious field sharp to the edge. […] It is from an examination of a small No. 1 Kodak lens, at one time in my possession, that I perceive it to be a resuscitation of Steinheil’s once famous periscop, although, owing to recent improvements in the manufacture of optical glass, it surpasses its progenitor in rapidity of working, without losing, so far as I can see, its other good properties.”

Isto deveria ter posto um fim na teoria de que a lente da primeira Kodak seria um simples menisco. Mas a confusão continua pois décadas mais tarde a Kodak lançou outros modelos como No. 1, por exemplo: No. 1 Pocket Kodak ou No. 1 Autographic Kodak Junior, as quais não têm relação alguma com a câmera inaugural da marca, mas efetivamente utilizavam um simples menisco como objetiva.

Rapid Rectilinear

Uma outra confusão que em vez de rebaixar faz um upgrade incorreto à lente da Kodak No. 1 é devida ao fato de que logo após sua introdução no final de 1888 vieram outras no mesmo conceito de box camera ou com fole, mas desta vez, por conta provavelmente dos formatos maiores, com uma lente de construção mais elaborada.

Catálogo de 1889

Acima temos duas páginas do catálogo com as câmeras Kodak mostrando os formatos e capacidades já comercializados naquele ano de 1889. Vemos que a linha cresceu rapidamente e é bom lembrar que já em janeiro de 1890 o novo filme transparente, com base de celuloide, estava com plena distribuição e rapidamente substituiu o complicado American Stripping Film.

Aproveitando novamente as declarações de um representante da marca, desta vez de Mr. H. M. Smith, que era um renomado palestrante itinerante e demonstrador técnico contratado pela Eastman Company, reproduzo abaixo um trecho publicado no The British Journal of Photography – July 25, 1890, relatando o que se passou em um desses encontros, desta vez na Newcastle-on-Tyne and Northern Counties Photographic Association:

“Ele [o Sr. H.M. Smith] desejava declarar, da maneira mais pública possível, que na Kodak No. 1 a lente não era simples, mas sim periscópica — uma lente dupla. Ela não era acromática, mas estava posicionada de modo a funcionar em seu foco químico, e ele podia invocar resultados para comprovar sua qualidade. Com a única exceção do modelo nº 1, todos os outros modelos da Kodak comercializados por sua empresa eram equipados com lentes rapid rectilinear fabricadas por uma das principais empresas de fabricação de lentes dos Estados Unidos [Bausch & Lomb], e elas não ficariam atrás de nenhuma outra no mercado.”

“He [Mr H.M. Smith] wished to state, in as public a manner as possible, that in the Kodak No. 1 the lens was not a single but a periscopic —a doublet lens. It was not achromatised, but was placed so as to work at its chemical focus, and he could appeal to results to show its quality. With the sole exception of the No. 1 all the other forms of Kodak sent out by his Company were fitted with rapid rectilinear– lenses maide by one of the principal firms of lens makers in America [Bausch & Lomb], and they would bear comparison with any in the market.”

Desde sua introdução em 1866, simultaneamente e independentemente pela Dallmeyer e pela Steinheil (sob no nome Aplanat), as Rapid Rectilinear eram o que havia de melhor em matéria de lentes de uso geral. Só foram superadas pela introdução das anastigmáticas no início dos anos 1890. Com abertura por volta de f/8 e ângulo de visão por volta de 50º elas tiveram importante papel na possibilidade de se construir câmeras com lentes fixas.

Porém, ela era visualmente muito parecida com a periscop pois externamente o que se via eram dois meniscus simétricos. A diferença é que esses meniscus eram formados por dois vidros colados, e desta vez sim: acromatizados.

Não é fácil se “contar” quantos elementos tem um grupo óptico quando ele está colado. Mas um método que funciona quando se trata apenas de um dubleto (duas lentes) é se colocar uma fonte de luz em frente ao mesmo (pode ser um led, mas uma vela ajuda na ambientação vintage do experimento) e observar como ela se reflete nas superfícies.

À esquerda está o elemento frontal de uma legítima Rapid Rectilinear da Dallmeyer, vemos duas reflexões bem luminosas da vela que são produzidas pela primeira superfície ar/vidro e depois vidro/ar. A terceira reflexão bem fraca que vemos como que mais ao fundo, é a reflexão na passagem vidro/vidro, onde está a colagem do dubleto. À direita está a periscop na Kodak No. 1. Nesse caso vemos apenas duas reflexões indicando que temos apenas um vidro como elemento frontal.

Como pouca gente faria ou saberia fazer esta inspeção e como todas as outras Kodaks tinham de fato uma rapid-rectilinear como objetiva (como afirmou Sr. H.M. Smith), era muito fácil que todas fossem assumidas como sendo Rapid Rectilinear.

Pesa ainda o fato de que os termos Rapid e Rectilinear podem ser meramente adjetivos e não uma referência à uma fórmula específica de Dallmeyer/Steinheil. Por ter simetria a periscop é de fato uma lente sem distorção (rende as linhas retas como retas), nesse sentido pode ser chamada de rectilinear. Com seu f/9 pode ser considerada, com um pouco de boa vontade, uma lente rápida para a época. Então fabricantes podiam usar esses nomes como qualidades (verdadeiras) e fotógrafos podiam entende-los como referência ao tipo de construção 2+2 ou dois grupos de dois elementos ópticos.

É muito comum se encontrar artigos e review da câmera fazendo essa confusão. Como é o caso acima em um manual de Magic Lantern aconselhando o uso da Kodak para se confeccionar os slides.

Produção e números de série

No livro Kodak Cameras, The First Hundred Years, de Brian Coe, ele cita que mais de 10.000 exemplares desta câmera foram produzidas entre 1889 e 1895. Lembrando que logo em 1889 surgiram variações No. 2, 3 e 4, citadas acima, e ainda duas do tipo folding, com fole e dobradura, é um número considerável.

Esta da coleção é de número 13.632. É interessante notar que pelo fato de que a câmera inteira era remetida a Rochester ou outra localidade onde a Eastman Kodak oferecia o serviço de revelação e carregamento de uma nova bobina, o número é estampado no corpo e também na traseira da câmera para assegurar ao fotógrafo de que não houve troca de alguma das partes.

O selo redondo estampado na traseira da câmera faz referência à patente de 5 de maio de 1885 para o sistema de transporte do filme. Nele lemos:

PAT MAY 5 1885 OTHER PATENTS APPLIED IN ALL COUNTRIES

Abaixo, a primeira página da patente emitida para W.H.Walker e G. Eastman, no caso ainda para o Roller Holder adaptável às view cameras, mas cuja tecnologia foi utilizada mais tarde também na Kodak No. 1.

Em uso

O que mais me interessa em fotografia é estudar sua relação com a sociedade e como a produção/ circulação de imagens ocorre em nossa cultura no tema de como ela se relaciona aos nossos valores e comportamentos. Mas um lado também muito interessante de se colecionar câmeras fotográficas tão antigas é que ainda é possível utilizá-las ainda que com algumas adaptações em certos casos.

Refazer o American Stripping Film seria um projeto insano, provavelmente demandaria um número excessivo de horas. O mais difícil provavelmente seria chegar na flexibilidade, espessura e outras propriedades mecânicas compatíveis com o sistema de transporte da câmera. Fazer a emulsão e aplicá-la sobre a gelatina solúvel, ainda que complicado em si, talvez seria o mais fácil.

Mas a solução simples de se cortar um pedaço de filme contemporâneo e colocá-lo no plano focal da câmera é extremamente fácil e conveniente. A máscara redonda serve perfeitamente a manter o filme no seu lugar.

Cortador para o formato da Kodak No. 1

Com este acessório caseiro é muito fácil cortar um filme 9×12 cm ou 4×5″ no tamanho exato para entrar na Kodak No. 1 mesmo na completa escuridão do laboratório.


Com esse expediente não consigo ter a sensação do que é de sair de casa e poder fazer 100 fotos analógicas sem recarregar a câmera, como era o caso com o American Film. Mas não deixa de ser um desafio interessante, bem ao contrário, saber que tenho apenas uma chapa e que se der errado, não haverá outra chance. Nessa hora, uma câmera que não tem visor, só tem um foco, uma abertura e uma velocidade, acaba mostrando-se extremamente ágil pois ao fotógrafo só resta apontar e clicar.

Sugestão de leitura

Desde o início da fotografia ela era um assunto reservado a iniciados, fossem amadores muito dedicados ou profissionais. A Kodak No. 1, como vimos, representou a entrada de fotógrafos que ironicamente não se interessavam exatamente pelo processo fotográfico. O que é que eles buscavam? Fiz um estudo sobre isso com o título Fotografia como relíquia. Está no Studiolo do museu e você pode acessa-lo diretamente também nest link: Fotografia como relíquia.

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