Anticomar | Plaubel

Anticomar – 300 mm – f/4.2

A Plaubel é muito mais conhecida por suas câmeras. Em especial a Plaubel Makina no formato 9x12cm que foi muito utilizada por jornalistas. Lançada em 1912 ela permaneceu em produção por 48 anos segundo a Wikipedia. Foram também fabricantes de câmeras de grande formato entre as quais a Peco que é robusta e bem desenhada.

A Plaubel, fundada em 1902 por Hugo Schrader, ex-Voigtlander, não foi referência como fabricante de lentes no que diz respeito à inovação e tampouco em sofisticação. O nome mais conhecido é justamente a Anticomar que foi fabricada em diversas aberturas máximas: f/ 2.8 – 2.9 – 3.0 – 4.2 – 4.5 e 6.3. e equipou boa parte de suas famosas câmeras. A Anticomar no início era um triplet mas logo foi modificada. Foi adicionado um quarto vidro ao se adotar o conceito da Tessar da Carl Zeiss.

Mas enquanto que a Tessar tem fama por sua definição precisa, as Anticomar são tidas como lentes um pouco “ofuscadas”. No Vade Mecum, Mathew Wilkinson, diz que: “A Anticomar, e até certo ponto as outras lentes, [da Plaubel] foram assunto de controvérsias naqueles tempos [depois de 1936]. Elas vendiam bem e tinham resolução com muitos detalhes mas com um razoavelmente alto nível de flare“. Flare é um termo do inglês difícil de traduzir. Significa que a lente espalha um pouco a luz e tende a criar um halo no entorno de objetos brilhantes, mais visível quando estes estão contra um fundo escuro, ou gera uma perda de contraste geral em assuntos menos contrastados.

Esta 300 mm cobre uma placa inteira mas eu prefiro utiliza-la em meia placa (13 x 18cm ou 5 x 7″) para fazer retratos. Justamente essa tendência ao flare, mas sem perda de detalhes como em uma Tessar, acaba proporcionando um efeito sutil e agradável para retratos.  É uma lente pesada, 1200g, e com um diâmetro de flange (~90 mm) que a impossibilita de ser montada na maioria das câmeras de quarto de placa (9 x 12 cm ou 4 x 5″). O elemento frontal tem aproximadamente 70 mm de diâmetro.

O obturador, por conta dessa área grande que ele deve cobrir, só vai até 1/50s. Mas é um clássico Compound produzido por Friedrich Deckel – Munique. Ele  utiliza um dispositivo pneumático, um pistão, para as velocidades lentas. Possui B, T e 1s. Eu gosto desse tipo de retardador pois são menos propensos a ficar preguiçosos nas velocidades baixas se comparados aos que utilizam mecanismos como os de relógios. Caso isso aconteça, são mais fáceis de limpar.

É muito difícil datar esta lente. Não encontrei nada sobre números de série e muito pouco sobre a lente de um modo geral. Por ter tratamento anti-reflexo, tudo que posso dizer é que foi produzida depois da Segunda Guerra Mundial. Por utilizar um Compound, não deve ser muito mais recente do que década de 50 ou 60.

Abaixo um retrato que eu gosto muito e que foi feito com essa Anticomar montada em uma Linhof 13 x 18cm. A abertura foi f/11. Jogar uma luz mais forte, lateral, para provocar esse ofuscamento da lente ou o flare, trás um pouco de substância ao ar entorno do retratado. Fica como uma atmosfera que o envelopa. Pode ficar interessante. Não é um efeito pronunciado, como em uma legítima soft focus, mas justamente essa sutileza é que a torna agradável de uma outra maneira.

 

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