Kapsa | D. F. Vasconcelos

Kapsa é uma câmera fotográfica que utiliza filmes 120 em rolo. Foi fabricada no Brasil na década de 1950 pela D. F.  Vasconcelos. Segue o conceito box camera, um aparelho para amadores, para fazer basicamente fotos de viagem e família, de preferência em externas. Nessa categoria ela desempenha bem e com um quadro de 6 x 9 cm permite facilmente cópias por contato.

Esta é a “pinta vermelha”, a mais sofisticada de uma linha com três modelos. As escolhas do fotógrafo são três aberturas, f 11, 16 e 22. Três zonas de foco: 1 a 2 metros, 2 a 8 metros e 8 a infinito. Para as velocidades ela oferece 1/100 e B, como I de instantaneos e T de time. Mas possui ainda trava e contato para flash.

Outra opção interessante é a escolha entre 6 x 9 cm ou 4,5 x 6 cm, fazendo nesses formatos 8 e 16 fotos por filme 120, respectivamente. O avanço do filme é controlado por janelas vermelhas na traseira da câmera e há uma para cada formato. No interior da câmera duas aletas ficam dobradas para um lado ou outro fechando ou abrindo quadro inteiro (6 x 9) ou meio quadro (4,5 x 6).

A construção é robusta e é muito fácil se encontrar Kapsas perfeitamente funcionais. A D.F.V foi uma empresa de alta tecnologia e fabricaram microscópios e outros instrumentos científicos, especialmente nas áreas militar e medicina. Teriam certamente pessoal e tecnologia para fabricar algo mais sofisticado, mas a Kapsa foi certamente uma opção mais de posicionamento de mercado do que qualquer outra limitação.

Por ser uma box camera, não se poderia esperar uma grande linha de acessórios. Mas eram oferecidos alguns filtros coloridos e também uma lente de aproximação para 50 cm.

Na foto acima vemos também a máscara para o visor que permite selecionar meio quadro. São dois visores, como já era habitual nas box cameras desde os tempos da Kodak Brownie nº2 , sendo um para paisagem e outro para retrato. Conforme as condições de luz não é fácil enquadrar com estes visores. Uma boa prática é apontar a câmera para uma silhueta contra um céu claro (prédios ou árvores, por exemplo) e ajustar a visão, para reconhecer a cena nessa situação, e depois voltar a câmera para o que se quer fotografar sem tirar os olhos do visor.

A lente é um dubleto, o que é certamente um luxo para uma box camera, as quais normalmente usam apenas um menisco, e ela poderia figurar entre as melhores da categoria se não fosse por um detalhe realmente incompreensível no projeto: Em vez de abrir a tampa traseira, é um bloco que sai lateralmente e contém as bobinas para transportar o filme. O inconveniente desse arranjo é que não encontramos nela a placa que normalmente comprime o filme contra uma moldura e ajuda a mantê-lo plano. O único auxílio para manter o filme plano é a tensão aplicada no mesmo. Isso não é suficiente e eu já tive a experiência de notar, ao revelar o negativo, que ele fez uma barriga dentro da câmera deformando a imagem e perdendo o foco.

Quando uso uma box camera, normalmente, não estou pensando em fazer fotos muito precisas pois isso seria uma frustração. Aqui vão dois exemplos de algumas variações sobre o tema. Na primeira foto usei dupla exposição, já que a câmera não tem trava para evitar o erro. Nos dois casos ampliei em papel Foma Classic usando revelação por contágio, conhecida também como Lithprint. Usa-se um revelador quase exausto, uma exposição muito longa no ampliador e a revelação igualmente prolongada até a imagem vir. O que é característico é que a imagem demora muito, parece que não virá nada, ficamos na luz vermelha olhando um papel branco por pelo menos uns 10 minutos e de repente, a densidade começa a subir, subir e se não tirarmos no momento certo pode acontecer da cópia ficar quase preta.

 

 

 

 

 

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