Cone Centralisateur | Darlot Opticien

petzval - darlot

– 240 mm | ~ f:4 | c1862 –

Daguerre anunciou seu processo fotográfico, na França, em 1839. Nesse tempo Jean Theodor Jamin era um fabricante de instrumentos ópticos atuando no mercado desde 1822 e, como muitos outros, rapidamente começou a produzir lentes fotográficas pois a demanda cresceu explosivamente. Em 1860 Jamin aposentou-se e o negócio ficou nas mão de Alphonse Darlot. Por algum tempo as lentes foram marcadas como Jamin Darlot e de 1861 em diante apenas Darlot Opticien.

petzval - darlot - gravacao

A grande vantagem trazida pelo desenho de Joseph Petzval, em 1840, foi a grande abertura de até f 3.7. Essa característica possibilitou reduzir o tempo de exposição e a realização prática de retratos. O desenho de Jamin & Darlot é um tipo especial de lente Petzval. Segue o esquema original de um dubleto acromático cimentado como elemento frontal e um outro dubleto espaçado na traseira. A ilustração abaixo mostra esta composição que foi tomada de um Tratado Especial de Fotografia publicado em 1875. A seta aponta para a cena e portanto representa o caminho inverso seguido pela luz.

petzval - darlot - esquema

A diferença introduzida por Jamin em 1855, continuada por muitos anos por Darlot, foi o “Cone Centralizador”. Este é o cone preto (foto abaixo) que sustenta o elemento traseiro. Jamin argumentava que ele ajudaria a prevenir reflexões internas que de outra forma atingiriam a superfície sensível (filme ou placa).

petzval - darlot - lateral

Este é o diagrama específico para as lentes de Jamin & Darlot com seu cone centralizateur. O exemplar mostrado neste post cobre uma área de 13×18 cm (convencionou-se chamar isso de “meia chapa”) e o elemento frontal tem diâmetro de 6 cm. A ilustração ao lado foi copiada do livro de Kingslake (referência mais abaixo).

petzval - darlot - esquema do cone

Uma outra característica introduzida foi a montagem que permite usar apenas o acromático frontal em posição reversa. É isto que quer dizer a marcação “vis portrait” e “vis paysage”. Se você tirar o cone traseiro e remover o parasol é possível enroscar a lente na posição invertida, usando o lado da rosca marcado como “vis paysage”, você terá uma lente convencional, da época, para paisagens como a superfície frontal côncava voltada para a cena. Adicionando o cone, você terá uma lente para retratos: “vis portrait”.

petzval - darlot - rosca paisagem

O controle de abertura é fornecido por um conjunto de discos que se montam na parte mais estreita do cone (fotos abaixo). Isto não é muito prático comparado com os diafragmas de gaveta, ou waterhouse stops no inglês, e menos ainda com os dispositivos em iris. Mas os materiais sensíveis da época eram tão lentos que provavelmente utilizavam-se pouco as aberturas menores. Isto é corroborado pelo fato de que é tão difícil se encontrar uma lente Jamin & Darlot ou Darlot com um conjunto de diafragmas. De qualquer forma, o interesse que despertam hoje as lentes do tipo Petzval está muito ligado justamente ao efeito produzido pela perda de foco nas regiões mais periféricas da imagem e isto é acentuado quando a lente está totalmente aberta com número f em torno de 4. Há mesmo um nome que significa esse contrário do foco que é o bokeh. Uma análise mais detalhada sobre isso você pode encontrar neste link.

petzval - darlot - f-stops petzval - darlot - celula traseira

Esta lente veio equipando uma câmera de collodium e foi comprada em Bièvres em 2008. A construção da câmera e o número de série da lente colocam o conjunto no início dos anos 1860. Como foi dito antes, Darlot retirou o nome Jamin depois deste se aposentar, isso foi em 1861, considerando algumas lentes que encontrei com o nome Jamin & Darlot e com números de série muito próximos desta, imagino que a mesma foi produzida não muito depois de Darlot assumir sozinho a fábrica.

petzval - darlot - numero de serie

Se você se interessa pela história das lentes então deveria com certeza adquirir, caso ainda não o tenha, o pdf de um livro chamado A lens Collector Vade Mecum. Custa apenas UDS 14,99 e é uma riquíssima fonte de informações com explicações, diagramas, fotos e números de série dos principais fabricantes e modelos. Você pode adquiri-lo neste link. Outra bibliografia básica e mais técnica e estruturada é o livro A History of the Photographic Lens  de Rudolf Kingslake. Você o encontra nesta página da Amazon.

Os dois retratos abaixo foram realizados com esta lente, totalmente aberta, em filme 13 x 18 cm e copiados por contato sobre papel de fibra.

 

 

 

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